Dirigido e produzido por Tales Ordakji, "Novo Atendimento" segue com uma extensa lista de indicações, premiações e segue em busca de um prêmio em Lisboa
Gabrielle Reis Publicado em 30/09/2026, às 11h00 - Atualizado em 01/10/2026, às 12h48
O curta-metragem "Novo Atendimento", teve o seu lançamento em 2025 e contou com uma mostra dentro do Museu de Imagem e do Som de Santos (MISS). A produção foi viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo, com a aplicação da Secretaria de Cultura de Santos e apoio da Prefeitura. As cenas foram gravadas no Gonzaga, com a produção de Atado no Ato; já o roteiro e a direção, ficaram por conta do santista Tales Ordakji. O filme também recebeu suporte da Casa UmMeiaZero, DesenheiTudo e Empreender na Cozinha.
A trama fala sobre Lipe (Tales Ordakji), um rapaz apaixonado por café e visita uma cafeteria recém-inaugurada. Um momento que deveria ser simples, acabou se tornando uma sequência de acontecimentos que fugiam completamente do controle. Problemas que envolvem os obstáculos digitais, já que mesmo com uma atendente (Cris Eifler), ele precisava passar pelos meios digitais.
A história combina humor e uma crítica social ao mostrar as contradições de um cotidiano moderno. No final, conta com uma cena que deixa qualquer fanático por café de cabelos em pé, trazendo uma pitada bem leve e humorada. A cena foi protagonizada por Tales Ordakji e Cibele Gonçalves.
Premiações:
Desde o momento de sua estreia, o curta conquistou sete prêmios e em cinco países, além de ter sido selecionado para mais de 20 festivais de cinema.
Além dessas premiações, a produção está chegando para participar do FESTin ( Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa), em Portugal, marcando a estreia no país europeu. O casal Cibele e Tales, estarão representando a Baixada Santista no festival europeu.
Em nota para a CBN Santos, Tales destacou a importância de representar a Baixada Santista e revelou como surgiu a ideia do curta:
"'Novo Atendimento' nasceu de uma situação real vivida em uma cafeteria recém-inaugurada em Santos. A partir daquela experiência, comecei a desenvolver o roteiro pensando em algo cada vez mais presente no nosso cotidiano, a burocracia digital e a substituição do contato humano por sistemas automatizados, aplicativos, robôs e inteligências artificiais que nem sempre conseguem compreender ou resolver necessidades muito simples.
O filme é uma comédia, mas também uma sátira sobre essa dependência crescente da tecnologia. O absurdo faz parte da linguagem justamente porque existe uma identificação imediata do público com aquilo que acontece na tela. As pessoas riem porque reconhecem a situação e percebem que, por mais exagerada que ela pareça, já viveram algo muito parecido.
Estamos constantemente tentando resolver problemas com atendimentos automatizados que nos obrigam a repetir informações, passar por sucessivas etapas de verificação ou seguir procedimentos que poderiam ser solucionados rapidamente por uma pessoa. Isso acontece em serviços bancários, aplicativos, sistemas de rastreamento, plataformas de atendimento e em inúmeros situações cotidianas. Às vezes, precisamos comprovar duas ou três vezes algo que, em uma conversa humana, poderia ser compreendido em poucos segundos.
Novo Atendimento leva essa lógica ao limite e pergunta até que ponto estamos caminhando para uma realidade em que até as decisões mais simples dependam de um celular, de um sistema ou de uma conexão com a internet . É muito significativo perceber que uma história surgida em Santos esteja encontrando identificação em festivais e públicos de diferentes lugares. A sátira funciona justamente porque o problema ultrapassa fronteiras.
O público ri do absurdo, mas ri também porque sabe que aquele absurdo já faz parte da realidade."