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Cultura

Dia do Estivador: como a categoria superou proibições e modernizou o trabalho nos portos do Brasil

Sindicato regional abrange Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão. Lei de 1993 transformou o perfil profissional nos terminais

Conheça a história do Sindicato dos Estivadores e a luta por direitos trabalhistas em um setor vital para o comércio exterior - Foto: Reprodução/TST

Redação Publicado em 20/10/2026, às 10h14

A história do complexo portuário da Baixada Santista e o desenvolvimento econômico do país estão intrinsecamente ligados à força, à resiliência e à evolução de uma das categorias trabalhistas mais tradicionais do Brasil: os estivadores. Celebrado anualmente em 18 de outubro, o Dia do Estivador — data festejada no último domingo — relembra não apenas a importância vital desses profissionais para o comércio exterior, mas também uma trajetória marcada por intensas lutas por direitos e pela constante adaptação tecnológica ao longo do último século. 

Das origens à fundação do sindicato em 1930

A profissão surgiu de uma necessidade logística fundamental nos cais. Com a chegada constante de navios ao litoral, o embarque e o desembarque de mercadorias exigiam uma mão de obra avulsa e específica, uma vez que a manipulação de grandes volumes de carga não era considerada uma atribuição da tripulação das embarcações. No entanto, o cenário inicial era de extrema precarização. Sem uma tabela padrão de remuneração que garantisse pagamentos justos ou direitos trabalhistas, os trabalhadores decidiram se organizar na década de 1920, fundando o Centro dos Estivadores. A iniciativa, porém, esbarrou na resistência da classe política da época, resultando na proibição formal para que a categoria se reunisse.

O grande ponto de virada ocorreu quando os trabalhadores adotaram uma postura firme e se recusaram a subir a bordo dos navios para executar as tarefas. A paralisação histórica forçou uma negociação estrutural que mudou os rumos da categoria. O movimento ganhou respaldo da Companhia Docas de Santos e um apoio institucional de peso: Miguel Costa, então Secretário de Segurança Pública.

Foi o secretário quem tomou a decisão de assinar a carta de registro oficial do Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão, no dia 1º de dezembro de 1930. Pela atuação decisiva a favor dos trabalhadores, Miguel Costa tornou-se o patrono da estiva, recebendo a carteira de sócio benemérito número 1, compondo a história ao lado de 150 estivadores considerados os pioneiros e fundadores da entidade sindical.

A escolha do dia 18 de outubro

Diferentemente da grande maioria dos trabalhadores portuários, que comemoram sua data oficial em 28 de janeiro, a estiva reverencia o 18 de outubro. Embora não exista um relato documental definitivo sobre a origem exata da celebração, convencionou-se, a partir de uma iniciativa da Federação Nacional dos Estivadores, que a data faz memória ao marco histórico da Abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas, promovida por Dom João VI.

A modernização e o fim do trabalho exclusivamente braçal

Se no passado a profissão era sinônimo quase exclusivo de esforço físico extremo nos porões dos navios, a realidade atual dos terminais exige alta qualificação. O divisor de águas para essa transformação técnica foi a aprovação da Lei nº 8.630/1993, sancionada pelo ex-presidente Itamar Franco.

Conhecida como a Lei de Modernização dos Portos Brasileiros, a legislação desencadeou uma profunda readequação da categoria. Com a intensa mecanização do cais santista e a chegada de contêineres e novos equipamentos de logística, o estivador deixou de desempenhar funções estritamente braçais. Hoje, a rotina a bordo exige formação técnica contínua, certificações rigorosas e o domínio de tecnologias avançadas, consolidando o trabalhador da estiva como um operador especializado e indispensável na era moderna da navegação.

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