Natação

Ana Marcela Cunha atravessa Canal da Mancha e bate recorde sul-americano da prova

Com um histórico impressionante, Ana Marcela realiza sonho de infância ao nadar entre Inglaterra e França, enfrentando desafios do mar

A brasileira Ana Marcela Cunha completa 42,9 km em 8h25m29s - Foto: Jonne Roriz/COB

Redação Publicado em 22/07/2026, às 11h56

Ao nadar uma distância de 42,9 quilômetros saindo da praia de Dover, na Inglaterra, até a costa de Calais, na França, a brasileira Ana Marcela Cunha garantiu o novo recorde sul-americano de travessia do Canal da Mancha entre homens e mulheres. A nadadora de 34 anos cravou o tempo de 8h25m29s nesta quarta-feira, registrando a marca mais rápida do mundo concluída por qualquer atleta na modalidade desde o ano de 2022.

Mesmo carregando na bagagem o ouro olímpico dos Jogos de Tóquio e um histórico de 16 medalhas conquistadas em Campeonatos Mundiais, a atleta revelou que a travessia do trecho marítimo era um desejo antigo guardado desde a infância. O percurso é considerado um dos mais exigentes e perigosos das águas abertas devido ao tráfego intenso de navios, ventos fortes, correntes instáveis e mudanças repentinas na temperatura da água. Durante a prova, a nadadora precisou lidar com o mar gelado de 19ºC e com o surgimento de caravelas pelo caminho, mantendo o ritmo de braçadas constante sem prejudicar o desempenho.

Treino específico e regras rigorosas

Para encarar a baixa temperatura sem utilizar trajes térmicos, item expressamente proibido pelo regulamento oficial da associação que homologa a prova, a campeã cobriu a pele com uma camada espessa de lanolina natural para garantir o isolamento térmico e evitar assaduras pelo atrito. A preparação foi intensa e incluiu treinos em piscinas frias a 17°C em Petrópolis, além de um teste de resistência de 12 horas ininterruptas de natação noturna feito na Represa Billings, em São Paulo.

Durante todo o trajeto, Ana foi acompanhada de perto por uma embarcação com seu treinador, um guia especialista nas águas do canal, fiscal da prova e representante do Guinness World Records. Com o tempo alcançado, a brasileira superou os antigos recordes sul-americanos da prova, que pertenciam a Ana Mesquita no feminino desde 1993 e a Adherbal de Oliveira no masculino desde 2015, escrevendo mais um capítulo histórico na natação mundial.

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