Automobilismo

David Coulthard faz críticas à FIA por demora na solução de problemas do regulamento

Ex-piloto de Fórmula 1 aponta que problemas eram previsíveis e critica a falta de escuta da FIA sobre alertas de equipes e pilotos

David Coulthard (ex-piloto da Fórmula 1) - Foto: Reprodução/ Fórmula 1

Gabrielle Reis Publicado em 05/08/2026, às 12h01

O ex-piloto de Fórmula 1 criticou a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) pela demora na solução dos problemas que foram causados pelo regulamento de 2026. Em suas afirmações, disse que as dificuldades do início da temporada eram previsíveis - como o acidente que ocorreu com o Oliver Bearman, piloto da Haas que sofreu um acidente em alta velocidade e força G -  e poderiam ter sido evitadas se os diretores escutassem os alertas feitos pelas equipes e pelos pilotos.

"Tínhamos pilotos e engenheiros dizendo que isso não daria certo, mas praticamente ninguém ouviu. Só nos testes de pré-temporada e na primeira corrida, na Austrália, ficou claro que os problemas eram reais". - Afirmou o ex-piloto ao podcast "Up To Speed". 

A federação melhorou em alguns pontos ao longo do campeonato, mas acredita que essa reação surgiu um pouco tarde.

"Todos viram isso chegando, mas ninguém quis ouvir. É decepcionante que um esporte que simula tudo com tanta antecedência tenha precisado esperar os problemas aparecerem para agir. Essa responsabilidade precisa recair sobre a FIA."

A FIA rejeitou as acusações de que não previu os problemas provocados pelo novo regulamento, dizendo que os riscos foram identificados com antecedência mas que faltou aopoio dos fabricantes para que houvessem mudanças antes do início da temporada.

Diversos pilotos afirmaram que os novos carros, mais sensíveis à gestão de energia, reduziram parte das características tradicionais de Spa-Francorchamps. Carlos Sainz, Lewis Hamilton e Max Verstappen, fizeram duras críticas, mas Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, defendeu a entidade dizendo: "Penso que os pilotos são, por definição, clientes bastante exigentes. Portanto, não esperamos que suavizem as críticas ou deixem de expressar suas opiniões. Durante os dois anos anteriores ao início da temporada, antecipamos muitas das questões das quais eles reclamaram e tentamos fazer alguns ajustes, porém, falhamos por causa do sistema de governo que estava em vigor. Assim, acredito que esse resultado era realisticamente esperado". 

Tombazis explicou que a FIA criou um comitê para proteger os atuais fornecedores de motores e novos participantes antes da introdução das regras. O acordo limitava o quanto poderiam gastar e operar, limitava o quanto a federação podia mudas as regras de maneira unilateral. 

A categoria aprovou um plano de longo prazo para alterar a divisão de potência entre o motor a combustão e a bateria, passa de 50/50 para uma divisão de 60/40. Tombazis reconheceu a demorada, mas considera que as corridas continuaram atraentes e intensas, mesmo com a dominância mercedista (com exceção de Lando Norris da McLaren, Lewis Hamilton e Charles Leclerc da Ferrari). 

Nikolas destaca a necessidade de equilibrar os interesses dos pilotos e do público, onde precisam analisar e equilibrar os fatores. "Eles querem ver mudanças, corridas emocionantes e disputas na pista". 

A FIA encontrou os sinais de alerta antes da primeira corrida de 2026, mas não alterou o regulamento por não ter o apoio dos fabricantes que não concordaram com as mudanças, iniciando uma nova temporada e cheia de problemas.

 

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