Levantamento do CIES mostra que 17 dos 20 clubes brasileiros mudaram de comando em 12 meses
Redação Publicado em 06/05/2026, às 10h19
Uma pesquisa recente do Observatório de Futebol do CIES (Centro Internacional de Estudos de Esporte) confirmou algo que o torcedor brasileiro já percebe. De acordo com o levantamento, o Campeonato Brasileiro é a sexta liga do mundo que mais trocou de treinador nos últimos 12 meses. O estudo mostra que a paciência dos dirigentes no Brasil é curta, especialmente quando os resultados positivos demoram a aparecer.
Para se ter uma ideia do tamanho dessa rotatividade, das 20 equipes que disputam a Série A, 17 mudaram de comandante pelo menos uma vez nesse período. Isso significa que 85% dos clubes da elite do nosso futebol não terminaram o ciclo de um ano com o mesmo profissional com o qual começaram. O levantamento analisou 55 ligas diferentes ao redor do globo e apontou que a média mundial de trocas é de 65,2%, o que coloca o Brasil bem acima do que acontece na maioria dos países.
Idade dos comandantes
Enquanto o Brasil ocupa o sexto lugar nesse ranking nada invejável, o topo da lista é liderado pelo Chipre, onde todos os 14 clubes da primeira divisão trocaram de técnico no último ano. Por outro lado, a Noruega aparece como o porto seguro dos treinadores, sendo a liga mais estável do mundo, com apenas três mudanças entre os 16 times da competição.
O estudo também olhou para a idade de quem fica na beira do gramado. A média de idade dos técnicos no mundo é de 49 anos e meio. Por aqui, os professores são um pouco mais experientes, com uma média de 51 anos. A Suécia é o lugar dos "novatos", com média de 43 anos, enquanto a Bulgária prefere os veteranos, com média de 55 anos.
Resultados imediatos
Segundo os analistas do CIES, esses números revelam uma "instabilidade crônica" no futebol mundial. O problema é ainda maior em ligas onde a pressão por vitórias imediatas é gigante, impedindo que projetos de longo prazo consigam sair do papel. No Brasil, essa cultura de demitir após algumas derrotas segue firme, fazendo com que o país lidere as estatísticas de rotatividade na América do Sul, superando vizinhos como Paraguai e Chile.