Com a introdução da aerodinâmica ativa, a Ferrari busca otimizar o desempenho do carro nas pistas
Gabriella Souza Publicado em 19/02/2026, às 11h44
A pré-temporada da Fórmula 1 em 2026 já começou com um "choque" técnico que deve ditar o ritmo das discussões nos boxes ao longo do ano. Nesta quinta-feira (19), no Circuito de Sakhir, no Bahrein, a Ferrari roubou a cena ao colocar na pista uma solução aerodinâmica sem precedentes no carro de Lewis Hamilton. A escuderia italiana apresentou uma asa traseira dotada de um mecanismo que abre e rotaciona em impressionantes 270 graus, explorando o limite do novo regulamento técnico da categoria.
A partir desta temporada, a Fórmula 1 entra em uma nova era com a introdução da aerodinâmica ativa. Diferente do antigo DRS, que apenas levantava uma aba para reduzir o arrasto, o novo sistema permite que tanto as asas traseiras quanto as dianteiras se movam de forma mais complexa para otimizar o fluxo de ar.
O objetivo é duplo: reduzir o arrasto nas retas para aumentar a velocidade final e garantir a carga aerodinâmica necessária nas curvas. O acionamento desses mecanismos será controlado e permitido apenas em pontos estratégicos de cada circuito.
O segredo técnico da Ferrari
Até o momento, a maioria das equipes havia optado por sistemas de abertura convencionais. A Alpine chegou a testar uma rotação de 180 graus, mas a Ferrari elevou o patamar ao chegar aos 270 graus. Para viabilizar esse movimento extremo, os engenheiros de Maranello precisaram repensar toda a estrutura da parte traseira do carro. Os tradicionais atuadores centrais foram descartados; agora, o mecanismo de acionamento está posicionado nas laterais da asa, permitindo a rotação completa da peça.
Especialistas e engenheiros rivais calculam que essa inovação pode dar ao carro de Hamilton um ganho de oito a dez quilômetros por hora de velocidade final nas retas. Em uma categoria onde milésimos de segundo decidem pole positions, um incremento dessa magnitude é considerado um "divisor de águas". A "asa giratória" da Ferrari não apenas busca velocidade, mas tenta resolver um dos maiores desafios dos novos carros: o equilíbrio entre os eixos dianteiro e traseiro quando a aerodinâmica ativa está em funcionamento.
Contagem regressiva para a estreia
As equipes têm até esta sexta-feira (20), para coletar dados e ajustar seus protótipos na última bateria de testes oficiais no Bahrein. O tempo é curto, e a pressão é máxima, já que todas as cartas serão colocadas na mesa no dia 5 de março, data da abertura oficial da temporada com o Grande Prêmio da Austrália.
O paddock agora aguarda para saber se o sistema da Ferrari será contestado por outras equipes perante a FIA ou se veremos uma corrida desenfreada das rivais, como Red Bull e Mercedes, para copiar a solução italiana antes da primeira luz verde em Melbourne.