Ex-piloto mais velho da F1, morre aos 100 anos na França
Redação Publicado em 06/05/2026, às 11h27
O automobilismo brasileiro se despede de uma de suas figuras mais lendárias e pioneiras. Morreu nesta segunda-feira (4), aos 100 anos, Hermano da Silva Ramos, carinhosamente conhecido como "Nano". Ele era o ex-piloto de Fórmula 1 mais velho ainda vivo e representou o Brasil na categoria máxima do automobilismo entre 1955 e 1956. Nano estava internado em um hospital na França desde o último domingo, tratando uma pneumonia, mas não resistiu.
Filho de pai brasileiro e mãe francesa, Hermano nasceu em Paris, mas iniciou sua trajetória nas pistas no Brasil, aos 21 anos. Ao retornar para a Europa, consolidou-se como um dos grandes nomes da equipe Gordini, tornando-se o terceiro piloto da história do nosso país a correr na Fórmula 1, seguindo os passos de Chico Landi e Gino Bianco.
Ruas de Mônaco
O ápice da carreira de Nano na elite do esporte a motor aconteceu em 1956, no icônico Grande Prêmio de Mônaco. Após largar na 14ª posição, o piloto protagonizou uma corrida de recuperação impressionante, terminando em quinto lugar e somando dois pontos. Para se ter uma ideia da importância desse feito, ele permaneceu como o brasileiro com mais pontos na história da Fórmula 1 por 14 anos, até ser superado por Emerson Fittipaldi em 1970.
Despedida das pistas
Nano também foi um sobrevivente. Em 1955, ele estava na pista durante as 24 Horas de Le Mans quando ocorreu a maior tragédia do esporte a motor, um acidente que vitimou mais de 80 pessoas. A decisão de abandonar a Fórmula 1 veio em 1957, motivada pela dor da perda: a morte de seu grande amigo, o piloto espanhol Alfonso de Portago, em um acidente nas Mil Milhas de Brescia, abalou Hermano profundamente.
Ele ainda teve passagens pela Ferrari em Le Mans e encerrou definitivamente sua carreira aos 35 anos, após uma corrida no Rio de Janeiro. Nano vivia na cidade francesa de Biarritz e, conforme informou a família, seu enterro será realizado no próximo sábado (9), na comuna de Arcangues, na França. Com sua partida, encerra-se um capítulo fundamental da era romântica do esporte, deixando um legado de coragem e pioneirismo para as futuras gerações de pilotos brasileiros.