☰
✕
Justiça

Irmã de Igor Peretto escreve ao juiz antes de julgamento e nega participação no crime

Marcelly Peretto, acusada de envolvimento na morte do irmão, afirma ter sido ameaçada pelo ex-marido e pede uma oportunidade para recomeçar

Marcelly Peretto, acusada de envolvimento na morte do irmão Igor Peretto, enviou uma carta ao juiz responsável pelo caso em Praia Grande (SP). No documento, ela nega participação no crime - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 07/10/2026, às 16h43

Ler resumo da notícia

Marcelly Peretto, de 23 anos, acusada de participação no assassinato do irmão, o comerciante Igor Peretto, enviou uma carta escrita à mão ao juiz responsável pelo caso em Praia Grande, no litoral de São Paulo. No documento, ela nega ter participado da morte e afirma que deixou o apartamento acompanhando o então marido, Mário Vitorino, porque temia ser morta por ele.

O crime ocorreu em 31 de agosto de 2024, no apartamento de Marcelly. Igor foi morto a facadas após, segundo a investigação, descobrir um relacionamento entre sua esposa, Rafaela Costa da Silva, e Mário, então marido de Marcelly.

Na carta, Marcelly sustenta que chegou ao quarto e encontrou o irmão já sem vida. Segundo seu relato, ela entrou em estado de choque e pediu ajuda. A acusada afirma ainda que Mário estava alterado e que teria sofrido ameaças e pressão psicológica para deixar o local com ele.

Marcelly também descreveu ao juiz o relacionamento que manteve com Mário. Ela afirmou que o conheceu aos 14 anos e se casou aos 17, após ser emancipada pelos pais. Segundo ela, durante os oito anos de casamento, passou a depender emocionalmente do ex-marido e obedecia às decisões tomadas por ele.

Na correspondência, Marcelly também relata as dificuldades enfrentadas desde a prisão. Ela afirma ter bom comportamento, ter realizado cursos e resenhas de livros e estar trabalhando dentro da unidade prisional desde novembro de 2025. Ao final, pede ao juiz uma oportunidade para reconstruir a vida e afirma ter o sonho de trabalhar como aeromoça.

A acusada também fez críticas ao irmão Tiago Peretto, vereador de São Vicente. Na carta, Marcelly afirma que ele teria utilizado a repercussão do assassinato para ganhar visibilidade política. Tiago, por sua vez, negou a acusação e afirmou que passou a responsabilizar a irmã depois de ter acesso às imagens das câmeras de segurança relacionadas ao crime.

Segundo o vereador, inicialmente a família acreditava na versão de Marcelly de que ela teria sido sequestrada por Mário. Ele afirmou ao g1 que mudou de posição após analisar as imagens e passou a defender a responsabilização da irmã pelo assassinato.

Julgamento

O Ministério Público de São Paulo sustenta que Marcelly, Mário Vitorino e Rafaela Costa da Silva participaram de um plano para matar Igor. De acordo com a acusação, o comerciante era considerado um obstáculo para a continuidade do relacionamento entre Rafaela e Mário.

A Justiça determinou que os três acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri. Marcelly responde por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e meio cruel, e o julgamento dela está marcado para 26 de novembro.

Igor foi encontrado morto dentro do apartamento após ser atingido por golpes de faca. Um laudo necroscópico apontou a gravidade dos ferimentos e indicou que, caso tivesse sobrevivido, ele poderia ter ficado tetraplégico.

As duas mulheres foram presas em 6 de setembro de 2024. Mário foi localizado posteriormente, em 15 de setembro, escondido na casa de um tio de Rafaela, em Torrinha, no interior paulista.

A defesa de Marcelly e o Tribunal de Justiça de São Paulo foram procurados para comentar a carta e as acusações, mas não haviam respondido até a última atualização da reportagem.

crime Praia Grande prisão Assassinato Julgamento Vereador Investigação Relacionamento comportamento homicídio igor peretto Tribunal do Júri Carta Dificuldades Necroscópico

Leia também