Anderson Oliveira Valeiro é procurado após ataque ocorrido no Macuco; Polícia Civil também apura atropelamento sofrido pela mulher em 2024 como possível tentativa anterior de feminicídio
Redação Publicado em 20/08/2026, às 15h19
A Polícia Civil investiga um histórico de violência envolvendo Anderson Oliveira Valeiro e a esposa, de 42 anos, após a mulher e o filho do casal, de 14, serem esfaqueados na madrugada de quarta-feira (19), no bairro do Macuco, em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo a investigação, a vítima estava em processo de separação e o suspeito não aceitava o fim do relacionamento. Anderson fugiu após o ataque e é procurado pelas autoridades. Mãe e filho foram socorridos e permanecem internados.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (20), a delegada Mayla Hadid afirmou que as informações reunidas até o momento apontam para uma escalada de violência ao longo do relacionamento.
Segundo a delegada, embora não existam registros policiais recentes feitos pela vítima, a apuração identificou relatos de agressões e ameaças anteriores. Mayla classificou o episódio como uma “tragédia anunciada” diante dos sinais de violência que, segundo a investigação, vinham se acumulando.
A Polícia Civil também analisa episódios anteriores envolvendo o casal. Um deles ocorreu em 2016, quando a mulher registrou uma ocorrência contra o marido. Os detalhes daquele caso não foram divulgados. Outro episódio que passou a integrar a investigação ocorreu em agosto de 2024, quando a mulher foi atropelada. De acordo com a delegada, as circunstâncias do caso chegaram ao conhecimento dos investigadores após o ataque desta semana.
A Polícia Civil passou a apurar se o atropelamento teria sido provocado deliberadamente por Anderson. Para Mayla Hadid, os elementos conhecidos até agora indicam que o episódio pode ter representado uma tentativa anterior de feminicídio. A conclusão, no entanto, dependerá do avanço das investigações e da análise das provas relacionadas ao caso.
Segundo a delegada, o ataque ocorrido nesta quarta-feira seria, nessa hipótese, uma nova tentativa contra a vida da mulher. A apuração busca reconstruir o histórico do relacionamento e esclarecer todos os episódios relatados às autoridades.
De acordo com a investigação, a vítima tentava encerrar o relacionamento com Anderson. A Polícia Civil apura se a não aceitação da separação foi a motivação para o ataque ocorrido na residência da família. A delegada destacou que situações de violência doméstica podem apresentar agravamento progressivo e defendeu que vítimas, familiares e testemunhas procurem as autoridades quando identificarem agressões, ameaças ou outros comportamentos de risco.
Mayla também mencionou os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha e afirmou que a rede de atendimento pode ser acionada para auxiliar mulheres submetidas a situações de violência.
Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi chamada por vizinhos que ouviram pedidos de socorro durante a madrugada de quarta-feira. Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram a mulher com ferimentos provocados por faca na cabeça e no abdômen. O adolescente de 14 anos, que teria tentado intervir durante o ataque, sofreu um ferimento na mão e foi atingido de raspão na região do pescoço.
Testemunhas informaram aos policiais que Anderson deixou o local de carro antes da chegada da equipe. Desde então, ele é procurado pelas autoridades. A residência onde ocorreu o crime foi submetida a perícia. Os vestígios recolhidos deverão auxiliar na reconstrução da dinâmica do ataque e integrar o inquérito conduzido pela DDM de Santos.
Além de apurar o ataque contra a mulher e o adolescente, a Polícia Civil busca estabelecer de que maneira os episódios anteriores se relacionam com o histórico de violência relatado durante a investigação. O atropelamento de 2024 e a ocorrência registrada em 2016 passaram a ser considerados na apuração para que os investigadores possam determinar se houve uma sequência de agressões e tentativas de violência contra a vítima ao longo dos últimos anos.
Anderson continua sendo procurado. A investigação prossegue para esclarecer as circunstâncias do ataque, reunir provas e definir a responsabilização criminal pelos fatos apurados.