A Câmara Municipal discute o futuro dos canais de Santos e a necessidade de modernização diante das inundações frequentes
Redação Publicado em 26/03/2026, às 09h08
A polêmica sobre o possível destombamento dos canais de Santos ganhou um novo capítulo nesta semana. Após o vereador Allison Sales (PL) levar o tema ao plenário da Câmara Municipal, a Prefeitura de Santos se posicionou oficialmente, afirmando que o reconhecimento histórico das estruturas não é um obstáculo para obras de modernização e adaptação aos desafios climáticos atuais.
O requerimento do parlamentar, aprovado nesta terça-feira (24), surgiu da preocupação com as frequentes inundações que atingem as avenidas que margeiam os canais. Sales citou episódios perigosos, como o transbordamento no Canal 3 que ocultou os limites da via e causou a queda de um pedestre na água. Para ele, o "congelamento" causado pelo tombamento impediria soluções como a elevação das muretas de proteção.
Preservação vs. Funcionalidade
Em nota, a gestão municipal esclareceu que o tombamento feito pelo Condepasa e pelo Condephaat não significa que os canais devam permanecer intocados para sempre. Pelo contrário, a administração destacou que "nada impede a realização de estudos" que visem aprimorar o escoamento das águas e a segurança urbana.
A prefeitura relembrou que, ao longo das décadas, os canais de Saturnino de Brito já receberam diversas intervenções modernas, como a instalação de comportas, passarelas, pontilhões e ciclovias. O entendimento é de que a preservação do valor histórico pode caminhar com a engenharia moderna, desde que os projetos sejam tecnicamente fundamentados e aprovados pelos órgãos de preservação.
O desafio das marés e do Porto Um dos pontos levantados pelo vereador, e deve integrar os futuros estudos é o impacto do aprofundamento do canal do Porto de Santos no comportamento das marés dentro da cidade. A prefeitura reiterou que os canais são elementos estruturadores da identidade santista que qualquer mudança profunda precisa respeitar esse legado.
Com a aprovação do requerimento na Câmara, o Executivo agora deve formalizar se já existem estudos em andamento ou se pretende abrir novas frentes de análise para elevar as muretas ou alterar o sistema de drenagem. A mensagem central da prefeitura é de otimismo: a modernização é viável sem que a cidade precise renunciar a seu maior símbolo urbanístico.