A operação da Polícia Federal revelou um esquema complexo de tráfico envolvendo funcionários e um supervisor do terminal
Redação Publicado em 24/09/2026, às 09h33
A tentativa de enviar drogas para a Europa pelo porto começou a desmoronar na madrugada de 6 de maio de 2020, graças a um flagrante da Polícia Federal em Santos. Naquela noite, três trabalhadores do terminal tentavam embarcar em um navio escondendo quase 13 quilos de cocaína. O detalhe é que o entorpecente estava preso nas barrigas deles com o uso de cintas elásticas. Esse episódio acabou sendo apenas a ponta do iceberg para desvendar todo um esquema criminoso funcionando dentro do cais.
Logo no dia seguinte à primeira prisão, os policiais encontraram mais 12 quilos do mesmo material perdidos pelo local. Com o avanço das apurações, a polícia confirmou a participação de mais quatro funcionários e do próprio supervisor de operações do porto. A função desse encarregado era o ponto chave para o plano dar certo: ele usava seu cargo para alterar as escalas de trabalho. Assim, conseguia colocar as pessoas certas nos horários exatos para facilitar a entrada da carga ilegal. Pelo "favor", o chefe embolsava cerca de 10 mil reais a cada troca de turno fraudada.
As mensagens no celular
A prova definitiva contra o grupo saiu dos telefones deles mesmos. Depois que a Justiça autorizou a quebra de sigilo, os peritos leram várias conversas no WhatsApp. Eles negociavam os pagamentos, combinavam os horários de trabalho e até trocavam comprovantes de banco. Em algumas mensagens, o supervisor chegava a mandar figurinhas de dinheiro e fotos de maços de notas, ostentando o lucro que recebia pela ajuda.
Condenação mantida pela Justiça
Nesta semana, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) tomou uma decisão sobre o caso e manteve a punição de sete homens envolvidos nessa história. As defesas tentaram recorrer para anular as provas dos celulares, argumentando que a polícia fez uma busca irregular, tentando "pescar" provas de forma especulativa e sem um foco claro.
No entanto, a juíza responsável por analisar o recurso negou o pedido. Ela explicou de forma bem didática que os telefones foram recolhidos na hora da prisão só para garantir que nada fosse apagado pelos suspeitos. A leitura das mensagens só aconteceu depois da liberação judicial, focando apenas nas pessoas ligadas ao crime em andamento. Ou seja, não teve invasão aleatória de privacidade.
O Ministério Público também fez um pedido durante o processo, mas com o objetivo de piorar a situação dos réus, adicionando o crime de "associação para o tráfico". A Justiça também negou essa parte, entendendo que não existia uma quadrilha fixa e duradoura entre eles, mas sim uma união de momento apenas para aquele transporte específico.
Com a decisão, as penas originais continuam valendo. O supervisor pegou oito anos e nove meses de prisão. Dois funcionários receberam penas similares, enquanto outros quatro homens vão cumprir cinco anos e dez meses. Um oitavo trabalhador acabou falecendo durante as investigações e teve a punição cancelada. Apesar das condenações, a Justiça autorizou o regime semiaberto para a maioria e todo o grupo vai poder continuar respondendo ao processo em liberdade.