A operação conjunta entre Polícia Federal e Capitania dos Portos evitou que a droga seguisse para Roterdã
Redação Publicado em 27/01/2026, às 08h51
A viagem de um grande cargueiro rumo ao continente europeu precisou ser interrompida na tarde do último sábado (24), momentos antes de a embarcação soltar as amarras no cais santista. O motivo não foi nenhum problema mecânico, mas sim uma descoberta criminosa feita abaixo da linha da água. Uma equipe de mergulhadores, desconfiada da movimentação, decidiu verificar o fundo do navio e encontrou uma carga ilegal milionária "pegando carona" na estrutura.
O alvo da fiscalização foi o navio Orange Star. A embarcação já estava com tudo pronto para seguir viagem quando as autoridades decidiram fazer um pente-fino. A ação foi cirúrgica e aconteceu graças a uma suspeita levantada pelos próprios mergulhadores que atuam na segurança portuária. Eles notaram algo estranho e resolveram investigar o casco, a parte do navio que fica submersa.
Escondido debaixo d'água
A vistoria confirmou o crime. Escondidos na estrutura externa, em um local de difícil acesso e visibilidade, estavam diversos pacotes presos ao casco. Após retirarem o material da água e levarem para a pesagem em terra firme, as equipes confirmaram que se tratava de cocaína.
Ao todo, foram contabilizados cerca de 148 kg da droga. Os pacotes estavam embalados com material impermeável para não estragar com a água do mar. Essa técnica é muito usada por traficantes internacionais: eles contratam mergulhadores para prender a droga no casco ou nas caixas de mar (aberturas para entrada de água) dos navios, muitas vezes sem que a tripulação ou o comandante saibam que estão transportando o ilícito.
Operação conjunta e destino
Para conseguir realizar essa apreensão com sucesso, foi necessária uma força-tarefa. A operação envolveu agentes da Polícia Federal, militares da Capitania dos Portos (Marinha) e a Guarda Portuária de Santos. A integração entre as forças foi fundamental para agir rápido, antes que o navio zarpasse.
O destino da droga seria o Porto de Roterdã, nos Países Baixos (Holanda). Essa rota entre Santos e Roterdã é uma das mais visadas pelo tráfico internacional, pois o porto holandês é uma das principais portas de entrada para mercadorias, e drogas, na Europa.
Segundo dados da Marinha do Brasil, essa apreensão acende um alerta sobre a frequência desse tipo de crime. Esta foi a segunda vez, em um intervalo de apenas 30 dias, que as autoridades conseguiram interceptar drogas no Porto de Santos usando esse mesmo método de fiscalização. A Polícia Federal agora deve investigar para tentar descobrir quem colocou a droga no navio e quem a receberia no exterior.