Juíza mantém prisão preventiva do mandante para proteger a vítima, que ficou dois meses na UTI e perdeu os movimentos das pernas após o atentado
Redação Publicado em 03/11/2026, às 13h28
O narrador esportivo George Antônio Lunardi, de 65 anos, sentará no banco dos réus e será julgado por um júri popular sob a grave acusação de arquitetar um atentado brutal contra a própria ex-mulher. O ataque a tiros, ocorrido na cidade de Santos, deixou a vítima de 28 anos com sequelas permanentes, perdendo definitivamente os movimentos das pernas. A decisão de levar o caso a julgamento foi proferida pela juíza Denise Gomes Bezerra Mota, titular da Vara do Júri de Santos, que apontou a existência de provas robustas e indícios claros que incriminam o radialista como o mandante e coexecutor da tentativa de feminicídio.
A emboscada na saída da academia
A trama violenta se desenrolou na noite de 3 de setembro de 2025, no bairro Bom Retiro. A vítima, Micaelle Santos Hora, caminhava sozinha e desprotegida pela Rua Cecília Meireles, logo após encerrar seu treino em uma academia local. Segundo os autos do processo, ela foi surpreendida e baleada por Elisabete Cristina Matias dos Santos, de 34 anos, que contou com a ajuda da própria filha adolescente para executar a emboscada. Após os disparos, mãe e filha correram cerca de 30 metros até uma caminhonete Fiat Strada branca, que pertencia e era dirigida pelo próprio Lunardi, garantindo a fuga rápida do trio.
As consequências do ataque foram devastadoras para a jovem. Micaelle precisou lutar pela vida durante dois meses internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos. Hoje, além de lidar com a paraplegia e o uso definitivo da cadeira de rodas, a vítima enfrenta um severo quadro de depressão, necessitando de acompanhamento medicamentoso contínuo.
Provas contundentes e comparsa foragida
Para justificar a pronúncia ao júri e a manutenção da prisão preventiva do radialista, a magistrada destacou que os argumentos de inocência da defesa estão isolados no processo. Imagens e mensagens extraídas do aparelho celular de Lunardi revelaram um histórico de ameaças e o interesse prévio do acusado em contratar alguém para assassinar a ex-companheira. Além disso, o depoimento prestado pela filha adolescente da atiradora na Vara da Infância e da Juventude cravou a presença do narrador e de Elisabete na exata cena do crime.
Enquanto Lunardi permanece atrás das grades pelo risco contínuo que representa à vítima e para evitar qualquer possibilidade de fuga, a sua comparsa segue com o status de procurada pela Justiça. Como não foi localizada pelas autoridades, o processo contra Elisabete foi temporariamente suspenso. Se for condenado pelos crimes de tentativa de feminicídio e corrupção de menor, o narrador esportivo poderá enfrentar uma pena pesada, que varia de 17 a 40 anos de reclusão em regime fechado.