Dono de propriedade rural mantinha 13 kg de carne de animais silvestres no freezer. Espécie ameaçada de extinção foi salva
Redação Publicado em 16/10/2026, às 10h15
O que parecia ser apenas uma propriedade rural pacata no interior de São Paulo escondia, na verdade, um esquema criminoso contra a biodiversidade local. Na tarde da última quarta-feira (14), a Polícia Militar Ambiental (PMAmb) desmantelou um abatedouro clandestino de animais silvestres que funcionava no bairro Rodeio, na cidade de Jacupiranga. A operação terminou com a prisão em flagrante do dono do imóvel, a aplicação de mais de R$ 54 mil em multas e o resgate de aves nativas, incluindo uma espécie que sofre com a ameaça de extinção.
A descoberta ocorreu durante um patrulhamento ostensivo de rotina pela região. A atenção dos agentes foi despertada logo na fachada da residência, onde diversas gaiolas e armadilhas estavam expostas. Pela janela, a equipe conseguiu notar ainda caixas de munição e duas espingardas no interior da casa. Diante das evidências, os policiais abordaram os moradores, que acabaram autorizando a entrada e a vistoria completa na propriedade.
Carne congelada e confissão
O cenário encontrado nas dependências do imóvel revelou a dimensão do crime ambiental. Além de equipamentos específicos para caça e pássaros mantidos ilegalmente em cativeiro, a equipe localizou um freezer que armazenava cerca de 13,1 kg de carcaças e partes de animais silvestres já abatidos e prontos para o repasse. Sem ter como negar as evidências, o suspeito confessou que utilizava o armamento para abater os animais na região e que a carne congelada seria comercializada clandestinamente, sem qualquer tipo de autorização dos órgãos competentes.
Encaminhado imediatamente à delegacia, o caçador foi autuado por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, posse ilegal de munição de uso restrito, abate de animais e manutenção de espécimes da fauna silvestre em cativeiro. O peso no bolso acompanhou a gravidade dos delitos: o homem recebeu quatro autos de infração ambiental que chegaram ao valor de R$ 54,2 mil. O montante da multa foi dobrado pelas autoridades porque a propriedade está inserida na Zona de Amortecimento do Parque Estadual Rio Turvo, uma área de proteção ecológica estratégica.
De volta à natureza
Para a fauna local, a ação policial garantiu um final feliz. As cinco aves resgatadas durante a vistoria passaram por avaliação técnica imediata e, como apresentavam bom estado de saúde e características de recém-capturadas, foram libertadas de volta ao seu habitat natural. Entre os pássaros que ganharam a liberdade estava um pixoxó (Sporophila frontalis), espécie atualmente classificada como ameaçada de extinção. Todas as gaiolas e ferramentas de caça apreendidas foram inutilizadas.