Cubatão

Relatório da CEI aponta falhas no atendimento de menino de 2 anos morto por infecção em Cubatão

Menino morreu de infecção generalizada após quatro idas ao pronto-socorro. Relatório da Câmara vai ao Ministério Público

- Foto: Rodrigo Palassi/CMC e reprodução

Redação Publicado em 24/09/2026, às 08h06

O relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Cubatão, apresentado nesta terça-feira (22), apontou vulnerabilidades no fluxo de atendimento do Pronto-Socorro Infantil da cidade, onde o pequeno Matteo Lima Albertino, de apenas 2 anos, faleceu. O documento destaca falhas sistêmicas na assistência à criança, embora a comissão ressalte que não possui competência técnica para responsabilizar profissionais individualmente. O laudo necroscópico confirmou que a causa da morte foi uma sepse (infecção generalizada).

Fragmentação e falha de comunicação

O principal problema relatado pelos vereadores foi a grave descontinuidade no socorro prestado ao menino. Matteo foi levado à unidade de saúde quatro vezes entre os dias 27 e 30 de junho. A família relatou que os sintomas evoluíram progressivamente: começaram com febre, passaram para vômitos e diarreia e, na terceira visita, um abscesso anal chegou a ser identificado. Mesmo assim, em todas essas ocasiões, ele foi medicado e liberado para voltar para casa.

Os depoimentos colhidos pela CEI evidenciaram uma nítida falha de comunicação entre as equipes. O histórico clínico das consultas anteriores era frequentemente ignorado pelos médicos plantonistas que assumiam os novos atendimentos. Apenas na quarta visita o menino permaneceu em observação. Quando o quadro clínico se agravou e Matteo precisou de terapia intensiva, a unidade enfrentou outro gargalo: os únicos dois leitos de UTI pediátrica estavam ocupados, exigindo um remanejamento emergencial para viabilizar a internação, que ocorreu poucas horas antes de seu falecimento.

Desdobramentos e investigações

Diante das apurações, a CEI recomendou à Prefeitura mudanças urgentes nos protocolos de triagem para pacientes com retornos sucessivos e melhorias na comunicação entre as equipes. O relatório completo será encaminhado ao Ministério Público (MP) e ao Conselho Regional de Medicina (Cremesp), órgãos competentes para analisar pericialmente os prontuários e julgar possíveis negligências médicas.

Em nota oficial, o Instituto Alpha de Medicina para Saúde, organização gestora do Pronto-Socorro Infantil, lamentou a perda da criança, mas defendeu que todos os atendimentos seguiram rigorosamente as diretrizes técnicas e os protocolos assistenciais vigentes.

Ministério Público Pronto-Socorro Comissão Especial de Inquérito Matteo Lima Albertino Conselho Regional de Medicina Infecção Generalizada Câmara Municipal de Cubatão Instituto Alpha

Leia também