Réu invadiu consultório, enganou equipes policiais e desferiu dezenas de golpes de punhal contra a companheira. Júri inicia às 9h30
Redação Publicado em 14/10/2026, às 08h25
O relógio marcava o início da manhã de 7 de maio do ano passado quando a sala de espera de um consultório médico virou o cenário de um episódio de extrema violência familiar. Amanda Fernandes Carvalho, de 42 anos, estava acompanhada da filha pequena aguardando uma consulta de rotina quando o marido invadiu o espaço completamente descontrolado. O casal, que dividia a vida há mais de uma década e tinha dois filhos juntos, começou a discutir asperamente no local. A confusão só não tomou proporções piores naquele primeiro instante porque um médico da clínica interveio na briga e conseguiu colocar o agressor para fora do prédio.
A saída forçada, no entanto, foi apenas uma pausa para o horror que se desenrolaria minutos depois. O homem escondeu uma pistola e uma lâmina, conseguiu despistar viaturas policiais que já haviam sido acionadas para atender a confusão e retornou armado até a sala onde mãe e filha estavam encurraladas. Sem dar chance de reação, ele abriu fogo contra as duas. Amanda foi alvejada no peito, no braço e nas costas, morrendo antes de receber qualquer socorro. Não satisfeito com os tiros, o agressor partiu para cima da companheira caída e desferiu 51 golpes brutais de punhal, atingindo seu rosto, tórax, abdômen e coxas. A menina, que tinha apenas 10 anos na data, foi baleada nos braços e pernas, precisou de cirurgia urgente e sobreviveu após quase uma semana internada no hospital.
O acusado diante dos jurados
Mais de um ano após o episódio que chocou a região, a Justiça começa a decidir o destino do autor da agressão. O sargento da Polícia Militar Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho senta no banco dos réus nesta quarta-feira (14), a partir das 9h30, no Fórum de Santos. O julgamento popular vai avaliar a conduta do militar a partir da denúncia pesada apresentada pelos promotores.
O Ministério Público sustenta que Samir cometeu feminicídio com uma longa lista de agravantes, incluindo motivo torpe no contexto de violência doméstica, recurso que impediu qualquer defesa da mulher, crueldade extrema, perigo para terceiros e uso de arma restrita. Além da morte da esposa, o sargento responde pela tentativa de homicídio qualificado contra a própria filha, que quase perdeu a vida diante dos disparos efetuados pelo pai dentro da unidade de saúde.