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Polícia

Stalking em Santos: homem que ameaçou vítima por Pix e enviou 30 deliveries em um dia é preso pela DDM

Investigado descumpriu medida protetiva após fim de relacionamento casual. Prisão preventiva ocorreu na capital paulista

A vítima enfrentou terror psicológico e intimidações após o término do relacionamento, culminando em prisão - Foto: Reprodução/Getty Images

Redação Publicado em 20/10/2026, às 11h51

A obsessão e o desrespeito às ordens judiciais culminaram na prisão preventiva de um homem de 26 anos, investigado por promover uma perseguição implacável contra uma mulher com quem manteve um relacionamento casual em Santos. A captura do suspeito, realizada na última segunda-feira (19) por agentes da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), joga luz sobre as novas e perturbadoras dinâmicas do crime de stalking, que envolveram desde ameaças virtuais e transferências bancárias até o envio massivo de pedidos de comida para a residência da vítima.

O cerco digital e o terror psicológico

O fim do envolvimento não foi aceito pelo agressor, que iniciou uma campanha de intimidação sistemática. Após os primeiros registros policiais, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência, proibindo o homem de manter qualquer tipo de contato ou aproximação. Para burlar os bloqueios tradicionais, o suspeito passou a utilizar o sistema de transferências via Pix, enviando quantias irrisórias de um centavo (R$ 0,01) para utilizar o espaço do comprovante como canal para disparar mensagens com ameaças diretas.

O terror psicológico se estendeu para diversas frentes. O homem criou perfis falsos em redes sociais para expor fotografias em que aparecia ao lado da vítima e chegou a divulgar o número de telefone pessoal dela em grupos formados por desconhecidos, com o claro intuito de fomentar a importunação por terceiros.

A situação atingiu o limite quando o investigado disparou, em um único dia, cerca de 30 pedidos de delivery para o endereço da mulher. Muitas das entregas exigiam o pagamento no momento do recebimento, gerando constrangimento na porta de casa. Além disso, ele enviou mensagens de texto afirmando que iria até a residência dela para "fazer barraco", ironizando que não se importava com o risco de ser preso.

Ação judicial, captura na capital e alegações

A delegada Mayla Hadid, titular da DDM de Santos, explicou que o primeiro pedido de prisão preventiva formulado pela Polícia Civil chegou a ser negado pelo Poder Judiciário. No entanto, diante da rápida escalada do comportamento criminoso, a vítima retornou à unidade policial munida das provas das novas ameaças e da enxurrada de entregas por aplicativo. Com o agravamento do risco, a polícia representou novamente pela detenção do indivíduo. Desta vez, a Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Santos deferiu os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.

Com as ordens judiciais expedidas, as equipes de investigação localizaram o paradeiro do suspeito fora da Baixada Santista. O homem foi preso em uma república residencial masculina situada no bairro Bela Vista, na região central da capital paulista.

Após a captura, o investigado confessou o descumprimento da medida protetiva, mas tentou minimizar sua responsabilidade alegando que a própria vítima teria concordado em encontrá-lo após a proibição. A delegada ressaltou que a versão do suspeito carece de comprovação e frisou uma premissa jurídica fundamental: o eventual consentimento da vítima não revoga e não anula a validade de uma decisão imposta pela Justiça. O homem deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (20).

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