The Town

Marilyn Manson é confirmado para o "The Town" de 2027, mas carrega uma onda negativa de repercussão

Entenda como as acusações contra Marilyn Manson impactam sua participação no festival e como os fãs ficaram ao receber o anúncio

Foto: Danny E. Martindale/Getty Images
Foto: Danny E. Martindale/Getty Images

Gabrielle Reis Publicado em 30/09/2026, às 09h20


O festival "The Town", revelou duas atrações para a temporada de 2027, mas acabou atingindo um efeito negativo ao revelar uma de suas atrações principais. O anúncio contou com a volta de Slipknot ao Brasil, mas também contou com a revelação surpreendente de Marilyn Manson.

Segundo o próprio festival, a apresentação de Manson faz parte da turnê mundial do próprio Slipknot - lembrando que o artista possui o costume de abrir alguns shows da banda, coisa que muitos fãs da banda de Corey Taylor detestam. A base de fãs do Slipknot, preza por um ambiente que acolha os rejeitados pela sociedade, as minorias, e eles acreditam que chamar Manson para abrir os shows, é um comportamento completamente errôneo.

Entenda os acontecimentos que levaram os fãs a terem esse tipo de comportamento:

A maior onda de negatividade não está por conta do estilo musical do artista, ou da forma que ele produz suas canções, mas nos acontecimentos de sua vida.  Em 2021, Manson foi acusado - por várias mulheres - de abusos físicos, sexuais, psicológicos e um controle coercitivo em relações afetivas e profissionais. 

Entre a longa lista de acusações, temos dois nomes notáveis para a imprensa: Esme Bianco (Game of Thrones) e Evan Rachel Wood. Bianco entrou com uma ação em 2021, por estupro e outros abusos sofridos, mas o processo terminou em um acordo extrajudicial em 2023. Esme afirmou que foi submetida a episódios de violência, além de privação de sono e comida, sendo sujeitada a choques elétricos e chicotadas. A situação teria acontecido durante um suposto vídeoclipe, que nunca foi ao ar.

Durante o processo, os advogados do cantor alegaram que as acusações haviam sido prescritas, já que (supostamente) as acusações teriam sido feitas em 2011, mas só foram colocadas para o público em 2021. A defesa argumentou que os relatos eram falsos e que faziam arte de um suposto ataque coordenado para capitalizar em cima do movimento "MeToo".

Evan revelou de maneira pública os abusos sofridos pelo ex-noivo. A atriz foi a figura central do caso, já que começou com uma revelação sobre o momento do relacionamento entre eles. Ela tinha apenas 19 anos, enquanto ele tinha 38. Rachel contou que Manson praticava uma manipulação psicológica para poder ganhar a confiança e o controle quando ela era adolescente. Além da parte psicológica, revelou ter sofrido abusos físicos e sexuais gravíssimos. 

Evan Rachel Wood contou que foi abusada durante as gravações do clipe "Heart-Shaped Glasses", que contou com uma referência completamente direta ao filme de Stanley Kubrick, "Lolita". O próprio cantor revelou a inspiração para o clipe, dizendo que surgiu após ver sua namorada (que tinha 19 anos) isar óculos escuros em formato de coração. 

No documentário lançado pela HBO, "Phoenix Rising", a atriz revelou que foi estuprada durante essas gravações e que tudo isso aconteceu de maneira clara e explícita, porque estava sendo gravado. Ela revelou que só concordou em fingir uma cena, mas que o cantor começou a praticar o ato de maneira verídica. 

Manson abriu um processo contra sua ex-noiva por difamação, mas acabou desistindo e pagando os custos advocatícios da atriz. Lembrando que ele não foi indiciado pelas acusações de Wood.

Esme Bianco/Evan Rachel Wood - foto: reprodução


Manson negou as acusações. Em 2025, a promotoria de Los Angeles decidiu que não apresentarias acusações criminais contra o c antor porque, segundo eles, parte das denúncias não foram comprovadas. Existem mais processos que continuam em andamento.

Em 2026, a ex-assistente de Marilyn teve o seu processo reaberto, aproveitando uma nova janela da Califórnia para os antigos casos de violência sexual. O julgamento foi marcado para novembro de 2027.

Manson está rodeado de polêmicas, tendo uma ainda mais recente. No ano de 2025, Marilyn e Kanye West, mas esse não foi o único ponto negativo, afinal, ambos os artistas foram conetados à questões nazistas. Ye fez comentários elogiando Hitler, lançou uma música e vendeu camisetas com suástica. Manson foi acusado - por um ex-membro de sua banda - de comprar objetos que faziam alusões ao nazismo.

Pré-julgamento estético:

Antes de todas as acusações começarem, muitas pessoas já não gostavam da estética que o artista representava e sempre encontravam alguma forma de expressar o descontentamento com as canções ou com os clipes.

Brian Warner (nome verdadeiro de Manson) recebeu uma carreira construída com base em diversas controvérsias religiosas, artísticas e comportamentais. Em 1999, a mídia e os políticos começaram a falar que o atentado que aconteceu no colégio Columbine, foi incentivado pelos clipes do cantor; depois, foi comprovado que os jovens não eram fãs do cantor.

Manson foi nomeado "Reverendo Honorário" da Igreja de Satã por Anton LaVey, após fazer diversas provocações ao lado mais ocultista. O cantor revelou que "não adorava o diabo", apenas utilizava a simobologia satânica como forma de matáforas. Porém, caindo mais uma vez em suas contradições, Manson foi visto queimando Bíblias no palco de seus shows. 

Mesmo com tudo isso acontecendo, Manson segue na programação do festival paulista.