Direcional Engenharia

A “queda livre” da direcional engenharia na bolsa nessa terça-feira. Construtora acumula desvalorização de mais 26% no ano

A construtora mineira de Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo Também conhecido como Ricardo Gontijo não vem convencendo os acionistas e afunda no preço das ações

Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, também conhecido como Ricardo Gontijo, é CEO e acionista da Direcional Engenharia e tem sua atuação cercada por amplos questionamentos - Foto: Reprodução
Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, também conhecido como Ricardo Gontijo, é CEO e acionista da Direcional Engenharia e tem sua atuação cercada por amplos questionamentos - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 18/08/2026, às 21h42


Após uma queda superior a 26% das ações nos últimos 12 meses, o conselho administrativo da construtora mineira Direcional Engenharia aprovou, na última terça-feira (11), a criação de um novo programa de recompra de até 32 milhões de ações ordinárias. Conforme o fato relevante divulgado, a iniciativa busca maximizar a geração de valor para os acionistas por meio de uma gestão eficiente da estrutura de capital.

A companhia conta atualmente com 327.236.076 ações emitidas e em circulação no mercado, além de outras 496.216 ações mantidas em tesouraria. Segundo a Direcional, todas as operações de compra ou venda serão efetuadas na Bolsa de Valores brasileira, a B3, sempre a preço de mercado.

Pressão sobre as ações após balanço do segundo trimestre
Desde segunda-feira, a Direcional (DIRR3) vem enfrentando pressão na bolsa após a divulgação do balanço referente ao segundo trimestre.

Embora os números apurados entre abril e junho tenham apresentado margens dentro do esperado e rentabilidade considerada satisfatória, alguns pontos provocaram ressalvas em parte do mercado.

Na avaliação do Citi, apesar de a rentabilidade atual continuar relevante, a margem do backlog vem recuando. O indicador, que considera vendas já realizadas cujos resultados serão reconhecidos à medida que as obras avançarem, passou de 45,2% no mesmo período do ano anterior para 43,9% nos últimos três meses.

Os analistas apontam esse movimento como motivo de forte preocupação, uma vez que os projetos responsáveis pelos resultados futuros podem apresentar rentabilidade um pouco inferior à daqueles que hoje sustentam as margens da companhia.

Despesas e dívida líquida entram no radar
De acordo com a equipe de análise, o desempenho também foi afetado por despesas de vendas acima das expectativas, sobretudo pelo aumento do volume de lançamentos no trimestre. O Valor Geral de Vendas (VGV) chegou a R$ 2,1 bilhões, mais que o dobro do R$ 1 bilhão registrado no trimestre anterior, além de ter havido resultado financeiro negativo.

Em junho, a dívida líquida apresentada pela empresa alcançou R$ 492,3 milhões, em contraste com a posição de caixa positivo observada no mesmo período de 2025. O quadro gera preocupação entre analistas e acende um alerta para os próximos trimestres.

O que é a Direcional Engenharia?

A Direcional Engenharia figura entre as maiores incorporadoras e construtoras do Brasil, com presença relevante no segmento de habitação popular e em programas habitacionais financiados pelo poder público. Durante sua trajetória de expansão, a companhia ganhou destaque no mercado imobiliário, ao mesmo tempo em que passou a reunir críticas e controvérsias relacionadas à sua atuação.

Na visão de seus críticos, a empresa adota um modelo de crescimento apoiado em escala e expansão acelerada. Para eles, a busca por maior eficiência operacional teria ocorrido ao lado de conflitos recorrentes com clientes e de dificuldades ligadas à execução e ao pós-venda de seus empreendimentos.

Quem é Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, herdeiro de 36% das ações da Direcional Engenharia?

CEO e acionista da Direcional Engenharia, o empresário construiu uma das maiores companhias do setor habitacional, especialmente por meio da atuação no Minha Casa Minha Vida, mas também acumulou processos, críticas e episódios que aumentaram os questionamentos sobre sua atuação.