Após ator criticar fusão corporativa e ligações com Israel, comunidade de Hollywood rebate acusação de antissemitismo em carta aberta

Redação Publicado em 02/09/2026, às 10h36
O ator norte-americano Mark Ruffalo, de 58 anos, recebeu o apoio público formal de mais de 180 personalidades judaicas ligadas à indústria cinematográfica global, às artes e a diversos setores corporativos. O grupo assinou uma carta aberta em solidariedade ao artista após a Paramount Pictures acusá-lo publicamente de disseminar antissemitismo. O documento conta com a adesão de nomes consagrados de Hollywood, como os atores Joaquin Phoenix e Hannah Einbinder, além dos premiados cineastas Jonathan Glazer, Joel Coen e Todd Haynes, segundo informações reveladas pela revista especializada Variety.
A controvérsia teve início após Ruffalo manifestar oposição à proposta de fusão corporativa entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. Em manifestação divulgada em suas redes sociais no último dia 21 de agosto, o intérprete questionou o impacto do monopólio empresarial para o setor cultural e mencionou as conexões financeiras da família Ellison — ligada à gigante de tecnologia Oracle e à própria Paramount — com o governo de Israel, relacionando contratos de infraestrutura ao conflito que atinge os palestinos na Faixa de Gaza. Em nota institucional de repúdio, a Paramount alegou que os questionamentos do artista recorreram a estereótipos preconceituosos contra judeus, posicionamento endossado por entidades como o Simon Wiesenthal Center e executivos como Haim Saban e Lawrence Bender.
Carta denuncia intimidação e defende liberdade de expressão
Ao rebater as imputações, Mark Ruffalo classificou a investida corporativa como "terrível e fundamentalmente desonesta", pontuando que a crítica política contra ações governamentais, tecnologias bélicas e acordos econômicos privados não pode ser confundida com agressão ao povo judeu. A posição do astro foi corroborada na carta aberta coletiva, que definiu o ataque contra o ator como uma manobra difamatória deliberada para calar o debate público sobre a concentração de poder midiático.
No texto veiculado pela Variety, os signatários judeus sustentam que denunciar articulações financeiras entre conglomerados de entretenimento e a crise humanitária internacional é uma postura legítima e "exatamente o oposto do antissemitismo". O diretor Jonathan Glazer — vencedor do Oscar pelo drama "Zona de Interesse" — declarou publicamente que desviar uma discussão sobre megacorporações sob o pretexto de intolerância religiosa representa uma tentativa de censura inaceitável, ponto de vista também endossado pelo cineasta Kenneth Lonergan, que considerou as acusações institucionais contra Ruffalo absurdas.
Durante uma concorrida entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (2) no prestigiado Festival Internacional de Cinema de Veneza, o astro norte-americano George Clooney manifestou apoio público irrestrito ao colega de profissão Mark Ruffalo. A declaração do artista ocorre em meio à intensa controvérsia que envolve Ruffalo e o estúdio Paramount Pictures, após o ator ter sido formalmente acusado pela empresa de proferir declarações antissemitas ao tecer críticas públicas a uma megafusão corporativa do setor de entretenimento.
Ao responder aos questionamentos dos jornalistas presentes no evento na Itália, Clooney fez questão de enfatizar a importância primordial do direito constitucional de manifestação e do debate plural na sociedade civil. "Eu acredito no livre discurso. Isto é parte de como uma democracia funciona. Eu sempre vou apoiar a capacidade de Mark Ruffalo de falar livremente", declarou o astro, reforçando que o posicionamento crítico de artistas diante de grandes decisões industriais e políticas deve ser preservado.
Leia a carta em tradução livre:
"A fusão proposta entre a Paramount e a Warner Brothers Discovery não é uma mera combinação de duas grandes empresas multinacionais. Sim, ela destruirá milhares e milhares de empregos. Sim, ela consolidará ainda mais o controle oligárquico sobre a nossa mídia. Sim, ela sufocará a competição e a criatividade na produção e distribuição de filmes e programas de televisão.
Mas tudo isso e muito mais será feito como parte de um projeto maior de dominação tecnológica, um projeto que Larry Ellison e seus parceiros nunca hesitaram em alardear - e que eles próprios vincularam explicitamente ao seu apoio às depredações contínuas infligidas ao povo palestino e ao silenciamento dos críticos desses horrores.
Todos vimos isso após a aquisição do TikTok, intermediada por Trump - uma aquisição que eles declararam abertamente ter sido motivada, em grande parte, pelo desejo de impulsionar a propaganda pró-Israel. Larry Ellison, pessoalmente, com seus impressionantes US$ 350 milhões em financiamento e promessas de doação ao Instituto Tony Blair para a Mudança Global, tem sido o principal apoiador de Blair, que assume um papel influente na tomada de Gaza, arquitetada por Trump, através do "Conselho da Paz", um território que se tornou um laboratório a céu aberto para tecnologias de controle e assassinato baseadas em inteligência artificial, como as celebradasd pela ex-CEO da Oracle, Safra Catz.
[...] De acordo com uma pesquisa recente do Washington Post, 61% dos judeus americanos agora concordam que Israel está cometendo crimes de guerra em Gaza;ç e quatro em cada dez concordam que esses crimes equivalem a genocídio.
Será que aqueles que atacam Mark Ruffalo como antissemita realmente acreditam que todos esses judeus americanos também são antissemitas? Ou que não vemos a conexão entre, por um lado, a impunidade criminosa que levou os EUA e Israel a um desastre sem fim e, por outro, as manobras oligárquicasde poder dos Musks, Ellisons, Thiels e outros que estão trabalhando para desmantelas nossa democracia?
[..] Apoiamos com orgulho Mark Ruffalo e todas as pessoas decentes que estão corajosamente se levantando e dizendo a verdade ao poder."
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