A tragédia ocorreu após a filha de Michel relatar uma tentativa de abuso, levando o pai a confrontar o suposto agressor

Redação Publicado em 12/02/2026, às 17h24
O Fórum de Praia Grande foi palco, na manhã desta quinta-feira (12), do início de um dos julgamentos mais aguardados da região. Michel Gonçalves de Araújo, acusado de matar brutalmente Cesar Augusto Miranda da Silva, de 28 anos, começou a ser julgado por um júri popular a partir das 9h. O crime, ocorrido em novembro de 2023, gerou grande comoção por envolver uma suposta vingança familiar: o réu teria cometido o homicídio após sua filha relatar uma tentativa de abuso sexual por parte da vítima.
A sessão, presidida no fórum localizado no bairro Nova Mirim, deve se estender ao longo do dia com o depoimento de testemunhas de acusação e defesa, incluindo os policiais que atenderam a ocorrência e familiares do réu. Michel, que confessou a autoria das agressões, responde ao processo em liberdade desde março de 2025, após passar quase um ano preso preventivamente.
O embate das teses
O tribunal do júri presencia um verdadeiro duelo jurídico. De um lado, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) pede a condenação por homicídio duplamente qualificado, argumentando que o crime foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, caracterizando uma execução brutal e desproporcional.
Do outro lado, a defesa de Michel, liderada pelo advogado Marcos Alberto de Campos, trabalha para desqualificar o crime. A estratégia foca na tese de homicídio privilegiado, alegando que o réu agiu sob o domínio de violenta emoção logo após a injusta provocação da vítima e na legítima defesa de terceiro. O argumento central é que Michel não saiu de casa com a intenção de matar (dolo), mas sim de proteger a filha e confrontar o suposto abusador, perdendo o controle diante da situação.
Relembre o caso
A tragédia aconteceu no dia 5 de novembro de 2023, na Rua Nilo Coelho, bairro Aviação. Segundo a denúncia, a filha de Michel chegou em casa relatando que um homem a havia puxado pela cintura na rua. Enfurecido, o pai pegou o carro e saiu à caça do suspeito. Ao encontrar Cesar Augusto, Michel o atropelou e, com a ajuda de Deivison Andrade dos Santos (que passava pelo local e decidiu intervir, mas foi absolvido em julgamento separado em 2025), iniciou o linchamento.
Imagens de câmeras de segurança exibidas à época mostram a selvageria do ataque: Cesar teve as roupas arrancadas, ficando nu, e foi espancado com socos e chutes. O golpe fatal, segundo a perícia, foi desferido por Michel com um macaco automotivo na cabeça da vítima. O jovem morreu no local antes mesmo da chegada do SAMU. Agora, cabe aos sete jurados decidir se o ato foi uma defesa desesperada de um pai ou um assassinato cruel que não pode ser justificado pela vingança.
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