A Anatel redirecionará recursos dos orelhões para investimentos em banda larga e telefonia móvel após o fim da concessão.

Otávio Alonso Publicado em 27/01/2026, às 19h14
A Baixada Santista perderá 1.289 telefones públicos a partir de 2026, com o fim da concessão das empresas responsáveis, marcando o encerramento de um serviço que foi parte do cotidiano urbano por décadas.
A Baixada Santista terá 1.289 telefones públicos retirados das ruas a partir de 2026, após o encerramento da concessão das empresas responsáveis pelo serviço em todo o país. A medida atinge nove cidades da região e marca o fim definitivo de um equipamento que fez parte do cotidiano urbano por décadas.
Santos é o município com maior número de orelhões na Baixada Santista. Ao todo, são 357 aparelhos instalados, sendo 353 em funcionamento e quatro em manutenção, segundo levantamento da TV Tribuna, afiliada da Globo. Na sequência aparecem Guarujá, com 174 equipamentos, Praia Grande, com 160, e São Vicente, com 157.
Também serão afetadas Cubatão, que possui 112 orelhões, Itanhaém, com 96, Bertioga, com 92, Peruíbe, com 81, e Mongaguá, com 60 aparelhos espalhados pelas vias públicas.
As empresas responsáveis pelo serviço eram Claro, Algar, Oi, Sercomtel e Telefônica. Com o fim da concessão, não existe mais obrigação legal para a manutenção dos telefones públicos, o que abriu caminho para a retirada definitiva dos equipamentos.
A Agência Nacional de Telecomunicações determinou que os recursos antes destinados aos orelhões sejam direcionados para investimentos em banda larga e telefonia móvel. Segundo a Anatel, atualmente apenas 38 mil telefones públicos permanecem instalados em todo o país.
De acordo com a agência reguladora, a remoção será feita apenas em aparelhos já desativados. Em localidades onde não há cobertura de telefonia celular, os orelhões deverão ser mantidos até 2028 para garantir o acesso mínimo à comunicação.
Criados nos anos 1970, os orelhões foram, durante décadas, a principal forma de comunicação fora de casa para milhões de brasileiros. O modelo mais conhecido teve design desenvolvido pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, pensado para reduzir o ruído externo e melhorar a qualidade das ligações. Com a popularização dos celulares, os equipamentos entraram em desuso e passaram a integrar mais a memória afetiva das cidades do que a rotina prática da população.
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