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Advogado Emerson Tauyl relata traumas em crianças de creche em Santos; entidade nega indícios de maus-tratos

Afastamento de funcionárias e investigação pela Polícia Civil marcam suposto caso de maus-tratos na Creche Arcanjo Rafael em Santos

Denúncias de castigos severos em creche de Santos geram controvérsia entre famílias e administração da unidade - Foto: Rádio CBN Santos e Divulgação/ PMS
Denúncias de castigos severos em creche de Santos geram controvérsia entre famílias e administração da unidade - Foto: Rádio CBN Santos e Divulgação/ PMS

Redação Publicado em 12/12/2025, às 15h08


As denúncias de supostos maus-tratos na Creche Arcanjo Rafael, no bairro Marapé, em Santos, seguem gerando divergências entre a defesa das famílias e a administração da unidade. Enquanto pais relatam mudanças bruscas no comportamento dos filhos e acusam educadoras de utilizarem castigos severos, a entidade responsável pela gestão da escola afirma que, até o momento, a análise das câmeras de monitoramento não confirmou as narrativas apresentadas. O caso resultou no afastamento preventivo de quatro funcionárias, sendo investigado pela Polícia Civil e pela Secretaria de Educação (Seduc).

Em entrevista à Rádio CBN Santos, o advogado criminalista Emerson Tauyl, que representa as famílias de quatro alunos, detalhou o teor das acusações. Segundo os relatos colhidos, as crianças estariam sendo submetidas a punições psicológicas, como ameaças de corte de cabelo e confinamento em um local isolado caso não obedecessem ou chorassem. O advogado destacou que as vítimas, algumas de tenra idade, passaram a apresentar sinais de regressão, como enurese noturna (urinar na cama), medo excessivo do escuro e recusa em dormir sozinhas.

Tauyl descreveu o local apontado pelas crianças como o “quarto escuro”, que seria uma espécie de despensa localizada sob uma escada na estrutura do imóvel. Ele enfatizou que a orientação jurídica dada aos pais foi de evitar confrontos diretos na porta da escola e formalizar as denúncias por boletim de ocorrência, permitindo que as autoridades conduzam o inquérito.

Existe uma espécie de quartinho embaixo da escada, uma dispensa que servia, e ali elas colocavam as crianças no escuro até que conseguissem parar de chorar ou que se comportassem. Era um castigo. Crianças que não tinham nenhum medo de escuro, a partir daí, acordavam de madrugada. Uma das professoras dizia, inclusive, que iria cortar o cabelo das meninas. É algo totalmente em ato de repúdio, a gente não aceita isso.”

O posicionamento da entidade

A Associação de Amor a Criança Arcanjo Rafael contestou veementemente as acusações e como o caso vem sendo divulgado. A entidade informou que, ao ser procurada por três responsáveis na manhã do dia 10 de dezembro, acionou imediatamente a gestão de convênios da Seduc e a supervisão escolar.

Segundo a administração, o afastamento da responsável pela unidade e das quatro educadoras foi uma medida preventiva e remunerada, tomada para garantir a isenção na apuração. A associação enviou assistentes sociais e uma coordenadora pedagógica ao local e disponibilizou 120 horas de gravações do sistema interno para as autoridades. A entidade sustenta que, até o fechamento desta reportagem, a análise das imagens e as averiguações internas não encontraram provas que confirmem os relatos dos pais e ressaltou que os alunos envolvidos continuam frequentando as aulas.

Em nota oficial, a entidade classificou a repercussão do caso e defendeu os procedimentos adotados:

Até o momento as apurações continuam e não foi encontrado até agora nada que corrobore com as narrativas dos pais. Mas como já dito são 120 horas de gravações e as apurações continuarão até que todos os funcionários da unidade sejam ouvidos e finalizada a visualização das gravações. É importante ressaltar que uma das crianças matriculada no maternal II e seus dois irmãos matriculados também no Maternal II e Berçário II, continuam indo às aulas normalmente. Assim, considera-se lamentável, sensacionalista e uma desinformação a forma como a matéria foi divulgada.”