Ameaças e investigação

Advogado sequestrado em Cubatão relata novas ameaças após tribunal do crime

Rafaell Câmara Roque afirma ter recebido ordem de morte depois de denunciar o sequestro e a tortura psicológica; operação do Gaeco prendeu três suspeitos e deixou um morto

Advogado Rafaell Câmara Roque relatou ter sido sequestrado e levado a um tribunal do crime em Cubatão; caso é investigado pelo Ministério Público - Imagem: Arquivo pessoal
Advogado Rafaell Câmara Roque relatou ter sido sequestrado e levado a um tribunal do crime em Cubatão; caso é investigado pelo Ministério Público - Imagem: Arquivo pessoal

Redação Publicado em 18/08/2026, às 16h04


O advogado Rafaell Câmara Roque, sequestrado em Cubatão, enfrenta novas ameaças de morte supostamente ordenadas pelo PCC, levando à Operação Patrocínio Fiel, que visa responsabilizar os envolvidos no crime. O sequestro, motivado por uma ação judicial contra uma empresa ligada a um dos criminosos, teve impactos significativos na vida do advogado.

Roque, que atua na área criminal há 12 anos, relatou que o sequestro ocorreu após ser atraído para uma comunidade sob falsas pretensões de trabalho, resultando em sua detenção por várias horas em um 'tribunal do crime'. A investigação, conduzida pelo Gaeco, busca esclarecer as circunstâncias do sequestro e as ameaças subsequentes.

A Operação Patrocínio Fiel resultou na prisão de três suspeitos e na morte de um deles durante a ação policial, com o MP-SP tomando medidas para garantir a segurança de Roque. Apesar das providências, o advogado expressa preocupação com sua segurança e a dificuldade de retomar uma rotina normal diante das ameaças contínuas.

O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, afirma estar sob novas ameaças após ter sido sequestrado e levado a um chamado “tribunal do crime” em Cubatão, no litoral de São Paulo. Segundo o relato do profissional, ele recebeu um telefonema informando que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam determinado sua morte. O caso deu origem à Operação Patrocínio Fiel, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em conjunto com a Polícia Militar.

Roque atua há 12 anos na área criminal e afirma que passou a temer pela própria segurança depois do episódio. Segundo ele, a ameaça mais recente reforçou a necessidade de alterar sua rotina e adotar cuidados para evitar ser seguido ou localizado.

O Ministério Público informou que as providências relacionadas à proteção do advogado são mantidas sob sigilo. Segundo o órgão, o caráter reservado das medidas busca preservar a eficácia das ações adotadas para garantir a segurança da vítima.

O sequestro aconteceu em 11 de junho, na Vila Esperança, em Cubatão. De acordo com o relato do advogado, ele foi atraído para a comunidade depois de receber uma ligação de William Nascimento Boaventura, que teria solicitado ajuda para liberar uma pessoa presa.

Roque disse que não conhecia o homem e que, inicialmente, acreditou que se tratava de uma demanda relacionada à sua atividade profissional. Em vez de encontrá-lo em uma delegacia, como teria sido sugerido inicialmente, o advogado foi orientado a ir até a comunidade.

Durante o trajeto, segundo o relato, ele percebeu que havia sido atraído para uma situação de risco. O profissional permaneceu em poder dos criminosos das 19h até 1h do dia seguinte. Segundo Roque, aproximadamente 30 pessoas participaram do chamado “tribunal do crime”, presencialmente ou por videochamada. Entre os envolvidos estaria Wagner Rodrigues dos Santos, conhecido como Branquinho.

A suspeita investigada é de que o sequestro tenha sido motivado por uma ação judicial apresentada pelo advogado contra uma empresa ligada a Wagner. O objetivo dos criminosos, conforme a investigação, seria pressionar Roque a abandonar o processo e fornecer informações sobre o endereço de um cliente que ele representava.

Após ser libertado, Roque procurou o Ministério Público e relatou o que havia ocorrido. A investigação ficou sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Mesmo diante do temor de represálias, o advogado decidiu tornar o caso público. Ele afirmou que o episódio teve impactos na rotina e no estado emocional e relatou dificuldades para dormir e medo de atender ligações de pessoas desconhecidas. Roque também afirmou que pessoas próximas se afastaram por receio de possíveis consequências relacionadas ao caso.

A nova ameaça, segundo o advogado, foi comunicada às autoridades. Ele questiona como poderá retomar uma rotina normal diante da possibilidade de ser alvo de uma nova ação criminosa.

Operação prendeu três suspeitos

As investigações resultaram na Operação Patrocínio Fiel, realizada na quarta-feira (12) pelo MP-SP, com apoio da Polícia Militar. A ação cumpriu medidas judiciais nos estados de São Paulo e Santa Catarina. De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério Público, três pessoas foram presas durante a operação. Um suspeito morreu durante a ação policial.

Segundo o MP-SP, a operação foi desencadeada justamente a partir das ameaças sofridas pelo advogado e tem como objetivo identificar e responsabilizar os envolvidos no sequestro e nas intimidações. O órgão informou ainda que, após tomar conhecimento das ameaças, adotou providências para investigar os fatos e garantir a segurança da vítima. Detalhes sobre as medidas de proteção não foram divulgados por questões de segurança.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também foram procuradas para comentar o caso, mas não haviam se manifestado até a última atualização das informações.