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Agosto Laranja: formigamento, fadiga e visão embaçada podem ser primeiros sinais de esclerose múltipla

Doença autoimune atinge mais de 40 mil brasileiros entre 20 e 40 anos; identificação precoce evita sequelas e preserva a qualidade de vida

Campanha Agosto Laranja desmistifica esclerose múltipla e orienta sobre tratamentos modernos para a doença - Foto: Freepik
Campanha Agosto Laranja desmistifica esclerose múltipla e orienta sobre tratamentos modernos para a doença - Foto: Freepik

Redação Publicado em 20/08/2026, às 11h31


Sintomas aparentemente corriqueiros no dia a dia, como vista embaçada, cansaço extremo ou uma dormência passageira nas mãos e pernas, podem ser os primeiros indicativos de uma condição neurológica séria que exige atenção imediata. De caráter crônico e autoimune, a esclerose múltipla atinge o sistema nervoso central, gerando processos inflamatórios e lesões progressivas no cérebro e na medula espinhal.

Estimativas da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) apontam que mais de 40 mil pessoas convivem com o diagnóstico no país. Durante o Agosto Laranja, campanha voltada à conscientização sobre a patologia, o neurologista Sidney Godoi, da Hapvida, esclarece a importância de reconhecer os primeiros sinais clínicos para garantir intervenções precoces.

Segundo o especialista, a variedade de manifestações dificulta a identificação logo nas etapas iniciais. Entre os sintomas mais relatados estão a perda parcial ou turvação da visão em um dos olhos, sensação de choques elétricos ao flexionar o pescoço, fraqueza nos membros e desequilíbrio ao caminhar.

"O problema é que muitos desses sintomas também podem acontecer em situações comuns do dia a dia, como estresse, ansiedade e compressões de nervos, por exemplo, ao cruzarmos as pernas. A diferença é que, na esclerose múltipla, esses sinais costumam durar mais de 24 horas e aparecem sem uma explicação evidente. E, muitas vezes, deixam algum grau de limitação. Por isso, quando um sintoma neurológico persiste ou se repete, é importante investigar", orienta o médico.

Surtos temporários, mitos e relevância do diagnóstico precoce

Um dos maiores obstáculos no rastreamento é a remissão espontânea dos sintomas após as primeiras crises, o que costuma retardar a procura por especialistas. "Muitos pacientes acham que, se o sintoma melhorou sozinho, não há motivo para procurar um médico. Na esclerose múltipla, isso pode ser um erro, porque os surtos costumam melhorar parcialmente de forma espontânea, mas a doença continua ativa e pode causar novas lesões. Por isso, a avaliação precoce faz toda a diferença", alerta o neurologista.

Ele ressalta ainda que o aumento de casos nas últimas décadas reflete avanços expressivos nos equipamentos de ressonância magnética e critérios clínicos mais precisos, e não necessariamente uma expansão descontrolada da doença.

Embora não haja cura definitiva, o tratamento adequado evita a progressão de danos irreversíveis.

"A esclerose múltipla provoca inflamações que podem causar dano ao cérebro e à medula espinhal. Cada surto pode deixar sequelas permanentes. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maior é a chance de reduzir novas crises, diminuir a atividade da doença nas imagens de ressonância e retardar o aparecimento de incapacidades. Em muitos casos, pessoas diagnosticadas precocemente conseguem estudar, trabalhar, praticar atividade física, formar uma família e manter uma boa qualidade de vida por muitos anos", destaca Sidney Godoi.

O médico faz questão de desmistificar estigmas históricos ligados ao público-alvo e ao prognóstico da enfermidade.

"Na verdade, ela costuma surgir entre os 20 e os 40 anos, uma fase muito ativa da vida. Outro mito é acreditar que todo paciente, inevitavelmente, ficará em uma cadeira de rodas. Isso não corresponde à realidade atual. Com os tratamentos modernos, muitas pessoas mantêm independência e qualidade de vida por décadas", conclui o profissional.