Saúde

Amil volta a puxar os reajustes em 2025 e consolida liderança indesejada no mercado de saúde

Alta sinistralidade, aumento de internações e terapias cada vez mais caras mantêm operadora no topo dos reajustes; mercado vive pressão acima da inflação e cobra transparência da ANS

Imagem: Reprodução | Freepik
Imagem: Reprodução | Freepik

Marina Milani Publicado em 08/12/2025, às 08h01


Em meio a um cenário já conhecido por empresas e consultores, mas ainda assim incômodo para quem precisa renegociar contratos, o ano de 2025 começou confirmando uma tendência que se repete desde 2023: a Amil, com mais de 2,3 milhões de beneficiários, aplicou novamente o maior reajuste entre as grandes operadoras de saúde suplementar.

O índice deste ano chegou a 15,75%, consolidando a operadora no topo dos aumentos pelo terceiro ano consecutivo. Para quem lida com esses números, não houve surpresa — mas o impacto nas contas é inevitável. Em 2024, muitos contratos corporativos da Amil já haviam ultrapassado 20%, e o ritmo acelerado de aumento se mantém em um mercado pressionado por internações mais frequentes, terapias modernas de alto custo e o envelhecimento da população coberta.

Reajustes de 2025

Apesar de outras operadoras também registrarem altas expressivas, nenhuma se aproximou do patamar da Amil. O ranking deste ano ficou assim:

  • Amil – 2.361.353 beneficiários – 15,75%

  • Porto Seguro – 693.892 beneficiários – 15,08%

  • Bradesco Saúde – 2.663.929 beneficiários – 12,62%

  • Unimed Nacional – 1.223.054 beneficiários – 12,48%

  • Sul América Saúde – 2.140.650 beneficiários – 12,45%

  • Hapvida – 3.204.293 beneficiários – 11,61%

  • NotreDame Intermédica – 2.954.369 beneficiários – 10,76%

  • Unimed Porto Alegre – 504.762 beneficiários – 9,90%

  • Unimed BH – 1.341.570 beneficiários – 9,71%

  • Unimed Seguros – 839.796 beneficiários – 8,43%

A elevação dos custos acontece em um ambiente já pressionado pela VCMH (Variação dos Custos Médico-Hospitalares), que fechou perto de 20%, muito acima da inflação comum e impulsionada por internações mais longas, medicamentos importados e tratamentos de maior complexidade.

Pressão maior nos planos coletivos

Mais de 80% dos beneficiários do país estão em planos coletivos — justamente aqueles cujos reajustes não são divulgados pela ANS. A agência regula apenas os planos individuais, que representam minoria e não refletem o comportamento real do mercado.

A falta de transparência aumenta a insatisfação de empresas que tentam entender a justificativa para reajustes elevados. Um gestor de benefícios de uma multinacional relatou que, após três anos consecutivos acima de 15%, já não consegue “fechar a conta” internamente, mesmo com negociações intensas.

Por que a Amil lidera os aumentos

Consultores que acompanham o setor apontam três fatores centrais:

  1. Carteiras com alto uso assistencial, com grande concentração de procedimentos complexos.

  2. Rede credenciada mais cara, incluindo hospitais e laboratórios de referência.

  3. Sinistralidade persistentemente elevada, acima da média do mercado, pressionando reajustes ano após ano.

O acúmulo de aumentos expressivos gera um efeito cascata: contratos ficam desequilibrados e difíceis de corrigir, tornando o reajuste elevado quase inevitável.

Verticalização oferece fôlego moderado

Modelos como Hapvida e NotreDame Intermédica, que controlam hospitais, clínicas e laboratórios próprios, apresentaram reajustes mais contidos — entre 10% e 11%. A previsibilidade do custo interno ajuda a segurar parte da pressão.

As Unimeds, com atuação regional e maior controle assistencial, também registraram índices menos agressivos, entre 8% e 12%.

Debate deve se intensificar em 2025

A combinação de envelhecimento da população, terapias mais caras, internações frequentes e sinistralidade elevada cria um cenário que o mercado já classifica como “inflexível”. Sem mudanças estruturais e com pouca clareza sobre critérios de reajuste nos planos coletivos, a tendência é que a discussão sobre sustentabilidade e transparência ganhe ainda mais força ao longo do ano.

A Amil, mais uma vez no topo dos aumentos, se tornou símbolo de um problema que afeta todo o setor — e que promete seguir no centro do debate empresarial e regulatório em 2025.