José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, foi visto pela última vez em Guarujá, em 8 de outubro. Advogadas investigam acessos à conta bancária do jovem após o desaparecimento, enquanto a Polícia Civil tenta esclarecer seu paradeiro

Redação Publicado em 22/10/2026, às 15h28
José Luis da Costa Oliveira, um analista de sistemas de 25 anos, está desaparecido desde 8 de outubro após ser vítima de um golpe na venda de seu carro, resultando em uma perda de R$ 24 mil. Ele foi visto pela última vez em Guarujá, após viajar para a Baixada Santista em um estado emocional abalado.
O jovem, natural do Pará, se mudou para São Paulo em 2025 e foi enganado por um intermediador durante a venda do veículo, que levou ao seu desaparecimento. A negociação, que começou nas redes sociais, culminou em uma transferência de dinheiro para a conta do golpista, sem que José recebesse o pagamento.
A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso, com foco em registros de deslocamento e acessos à conta bancária de José após seu desaparecimento. As autoridades buscam esclarecer as circunstâncias do sumiço e a possível relação entre a fraude e o desaparecimento, enquanto José permanece sem contato há 14 dias.
O analista de sistemas José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, está desaparecido desde 8 de outubro, quando deixou a capital paulista e viajou para a Baixada Santista após sofrer um golpe durante a venda de seu automóvel. O jovem passou por Santos e foi visto pela última vez em Guarujá. Antes de desaparecer, gravou um vídeo em que aparece chorando e relata ter perdido R$ 24 mil em uma negociação intermediada por um golpista. O caso é investigado pela Polícia Civil de São Paulo.
Natural do Pará, José Luis se mudou para a capital paulista em novembro de 2025 por motivos profissionais. Ele trabalhava como analista de sistemas e morava em um apartamento no bairro Bela Vista. O desaparecimento ocorreu no mesmo dia em que descobriu ter sido vítima de uma fraude envolvendo a transferência de seu veículo.
Segundo as advogadas Bianca Santiago e Vitória Moreira, que representam amigos do jovem no inquérito, a negociação começou após José anunciar o automóvel nas redes sociais. Um homem entrou em contato oferecendo-se para intermediar a venda, proposta que foi aceita pelo proprietário.
O suspeito passou a conduzir as tratativas entre José e a pessoa interessada no carro. Durante a negociação, comprador e vendedor mantiveram contato com o intermediador, sem conhecer os detalhes dos acordos estabelecidos com a outra parte.
No momento da conclusão da venda, a pessoa que adquiriu o automóvel transferiu R$ 24 mil para uma conta indicada pelo intermediador. José, por sua vez, realizou a transferência de propriedade do veículo, acreditando que receberia o pagamento. O dinheiro, entretanto, foi encaminhado à conta do suspeito, que deixou de responder aos envolvidos.
De acordo com Bianca Santiago, tanto José quanto a pessoa que comprou o carro foram enganados. A compradora efetuou o pagamento, enquanto o analista de sistemas entregou o veículo sem receber o valor correspondente. Após descobrir a fraude, José gravou um vídeo relatando o ocorrido. Nas imagens, aparece chorando e explica que a pessoa responsável pela compra não tinha conhecimento do golpe.
A gravação foi localizada aproximadamente três dias depois do desaparecimento, em um computador que permanecia desbloqueado no apartamento do jovem, na capital paulista. O material passou a integrar o conjunto de informações utilizado pelas pessoas próximas ao analista e pelas representantes jurídicas para compreender o que aconteceu antes de ele perder contato com familiares e amigos.
Viagem de São Paulo a Santos foi negociada por R$ 700
A reconstrução dos deslocamentos de José Luis começou a partir dos registros de viagens por aplicativo e de imagens de câmeras de segurança obtidas pelas advogadas. Segundo as representantes, logo após a transferência do automóvel, em 8 de outubro, o jovem solicitou uma corrida por aplicativo para retornar ao apartamento onde morava, no bairro Bela Vista.
O motorista responsável pelo trajeto relatou que José estava chorando durante a viagem. Inicialmente, o destino seria sua residência, mas o passageiro propôs uma mudança de planos. De acordo com o relato apresentado às advogadas, José ofereceu R$ 700 para ser levado até Santos, em uma viagem particular. O motorista aceitou a proposta e aguardou o jovem em frente ao prédio.
Imagens do sistema de monitoramento registraram a entrada de José no imóvel e sua saída cerca de oito minutos depois. Nesse intervalo, ele trocou de roupa. Conforme Bianca Santiago, o analista deixou o apartamento vestindo bermuda e jaqueta, sem carregar mochila ou outros pertences aparentes.
O motorista então seguiu com José em direção à Baixada Santista. Ao chegar a Santos, deixou o passageiro em um bar localizado no bairro Boqueirão. Registros de câmeras de segurança obtidos durante a apuração mostram o jovem sozinho no estabelecimento, o que permitiu confirmar parte do percurso realizado após sua saída da capital.
Jovem seguiu para Guarujá em outra viagem particular
Depois de passar pelo Boqueirão, José Luis solicitou uma nova corrida por aplicativo para seguir em direção à travessia de balsas entre Santos e Guarujá. Segundo as advogadas, ele entrou no veículo e, durante o trajeto, ofereceu R$ 500 ao motorista para que a viagem continuasse de maneira particular, fora do aplicativo. A solicitação original foi cancelada, e o condutor aceitou transportá-lo até a cidade vizinha.
O motorista relatou às representantes jurídicas que o passageiro apresentava sinais de embriaguez e demonstrava tristeza pelo golpe sofrido na venda do automóvel. Durante a conversa, o condutor questionou se José pretendia atentar contra a própria vida. Segundo o relato repassado à advogada Bianca Santiago, o jovem negou essa intenção e afirmou que desejava apenas tomar um banho de mar.
O motorista informou que deixou José em frente a um condomínio em Guarujá. Esse é o último local conhecido por onde o analista de sistemas passou antes de perder contato com pessoas próximas.
A família tentou obter imagens do sistema de monitoramento do edifício para verificar os movimentos do jovem após desembarcar do veículo. Entretanto, segundo as advogadas, os registros já não estavam disponíveis porque o sistema havia apagado automaticamente as gravações anteriores. A ausência dessas imagens dificultou a reconstrução dos acontecimentos posteriores à chegada de José ao município.
Não há confirmação sobre o destino que ele tomou depois de ser deixado em frente ao condomínio, nem se chegou a entrar no mar.
Acessos à conta bancária após o desaparecimento são investigados
Além dos registros de deslocamento, outro elemento passou a chamar a atenção das representantes jurídicas: acessos à conta bancária do analista de sistemas registrados após seu desaparecimento.
Segundo a advogada Vitória Moreira, foram identificados acessos à conta de José em 9 de outubro, um dia depois de ele ter sido visto pela última vez. As operações teriam ocorrido por meio de outro dispositivo. As representantes aguardam a quebra do sigilo bancário para tentar esclarecer a origem desses acessos e verificar se houve alguma movimentação financeira relevante para a investigação.
O objetivo é identificar quais dispositivos foram utilizados, quais operações foram realizadas e se os registros podem contribuir para determinar o paradeiro do jovem. Até o momento, não há confirmação de que os acessos tenham sido realizados por terceiros sem autorização ou de que estejam relacionados diretamente ao desaparecimento.
As advogadas também informaram que José possuía recursos financeiros suficientes para se manter por determinado período, circunstância considerada na avaliação das diferentes possibilidades investigativas. Embora reconheçam que o golpe possa ter causado um abalo emocional, as representantes não descartam a hipótese de que o desaparecimento tenha ocorrido por motivos distintos da fraude.
Mensagem enviada a ex-namorada também integra reconstrução do caso
Outro registro identificado durante a apuração envolve uma mensagem enviada por José a uma ex-namorada na noite de 8 de outubro. Segundo as advogadas, o analista perguntou à mulher se ela estava noiva. A destinatária respondeu, mas não conseguiu estabelecer novo contato com ele.
A mensagem é um dos últimos registros de comunicação atribuídos ao jovem no dia do desaparecimento. Até agora, não foram divulgados elementos que permitam estabelecer relação entre essa conversa e o desaparecimento.
Polícia Civil mantém buscas pelo analista de sistemas
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que a ocorrência foi registrada como desaparecimento de pessoa.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio do 46º Distrito Policial, localizado em Perus, na capital paulista.
De acordo com a secretaria, as equipes realizam diligências para localizar José Luis e esclarecer as circunstâncias de seu desaparecimento.
A apuração considera os registros de deslocamento, as imagens de monitoramento disponíveis e as informações reunidas a partir dos relatos de pessoas que tiveram contato com o jovem.
O caso também envolve o esclarecimento da fraude na venda do automóvel, embora ainda não esteja estabelecida uma ligação direta entre o golpe e o desaparecimento.
Até esta quinta-feira (22), José Luis permanecia desaparecido, 14 dias após ter sido visto pela última vez em Guarujá. Não havia confirmação oficial sobre seu paradeiro ou sobre a participação de terceiros em seu desaparecimento.
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