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Antigo prédio com cinema vira moradia popular e define novos moradores em Cubatão

Com a desclassificação de candidatos, novas vagas surgem para 26 famílias que aguardam a casa própria

O projeto do Edifício Castro é um marco na habitação social, transformando um prédio abandonado em moradia moderna - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Cubatão
O projeto do Edifício Castro é um marco na habitação social, transformando um prédio abandonado em moradia moderna - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Cubatão

Gabriel Nubile Publicado em 08/12/2025, às 08h34


O Teatro Municipal Zanzalá recebeu moradores de Cubatão na última quinta-feira (04) para uma etapa decisiva rumo à casa própria. A prefeitura organizou um novo sorteio para definir a ordem de quem vai ocupar as vagas no Edifício Castro. O evento foi necessário para desempatar os candidatos que tinham pontuações entre 0 e 4 pontos e que aguardavam na fila de espera do Cadastro Habitacional Municipal.

Essa nova chamada aconteceu porque a lista original sofreu baixas. Muitos dos candidatos selecionados anteriormente acabaram sendo desclassificados por falta de documentos ou simplesmente desistiram do processo. Com isso, surgiram vagas remanescentes que precisavam ser preenchidas. Agora, a nova lista organizada será encaminhada para a Caixa Econômica Federal. O banco é quem bate o martelo final, analisando a situação financeira e a papelada de cada família para liberar o financiamento. A expectativa é que, em breve, 26 famílias peguem as chaves e se mudem.

Do abandono à moradia popular

O projeto do Edifício Castro é um marco não só para a cidade, mas para o país. Ele é considerado o primeiro prédio do Brasil a passar por um processo completo de "retrofit" com foco em habitação social. Na prática, isso significa pegar uma construção antiga e adaptar totalmente sua estrutura para que ela sirva de moradia moderna e segura.

A história do imóvel, localizado na Vila Couto, é longa. Construído em 1973, o prédio tem duas torres e 10 andares, somando quase 7 mil metros quadrados. Durante décadas, o local teve diversos usos: já foi prédio comercial com escritórios, teve lojas e abrigou até um cinema que marcou época. Mais tarde, foi usado pela administração pública e hoje divide espaço com a Policlínica Municipal.

No entanto, o edifício ficou marcado pelo abandono. Por quase 40 anos, a estrutura sofreu com a ação do tempo. Em 1991, foi desapropriado e, em 2017, a Justiça chegou a interditar o local por riscos estruturais. A virada de chave começou em 2019, quando foi firmada uma parceria de R$ 17 milhões entre a prefeitura, o governo estadual (via CDHU) e o programa federal Minha Casa Minha Vida para recuperar o imóvel.

Quem tem prioridade?

Para participar da seleção, os critérios foram rigorosos. O primeiro grande sorteio aconteceu em abril deste ano, focado em quem tinha renda familiar entre R$ 2.850 e R$ 8 mil. O sistema de pontos criado para definir a fila deu prioridade para grupos específicos.

Saíram na frente as famílias chefiadas por mulheres, aquelas que pagavam aluguéis muito caros, comprometendo a renda, e quem tinha crianças pequenas em casa. Também ganharam pontos extras moradores de áreas de risco, pessoas que vivem em Cubatão há muito tempo e mulheres vítimas de violência doméstica. Servidores públicos também puderam entrar na disputa.