Zenaldo, de 9 meses, permaneceu internado desde o nascimento no Hospital Guilherme Álvaro e recebeu alta nesta semana; menino continuará sendo acompanhado por equipe multidisciplinar e fará investigação genética

Redação Publicado em 08/08/2026, às 15h50
Zenaldo, um bebê de nove meses, recebeu alta do Hospital Guilherme Álvaro após meses na UTI, onde foi tratado por dificuldades respiratórias desde o nascimento, e agora seguirá seu tratamento em casa com traqueostomia e acompanhamento médico especializado.
O menino, que nasceu em 31 de outubro de 2025, teve que ser intubado e recebeu ventilação mecânica, mas sua condição melhorou a ponto de deixar a UTI, embora ainda necessite de cuidados contínuos devido a uma disgenesia do corpo caloso identificada pelos médicos.
A família está se adaptando à nova rotina em casa, que inclui cuidados médicos complexos e acompanhamento de diversas especialidades, enquanto aguarda resultados de exames genéticos que podem esclarecer a condição de saúde de Zenaldo e suas implicações futuras.
Zenaldo, de nove meses, deixou nesta semana a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, após permanecer internado desde o nascimento. Morador de São Vicente, no litoral de São Paulo, o bebê agora seguirá o tratamento em casa, com traqueostomia e acompanhamento de diferentes especialidades médicas. A alta foi marcada por uma homenagem preparada pela família e por profissionais da unidade hospitalar.
O menino nasceu em 31 de outubro de 2025 e apresentou dificuldades respiratórias logo após o parto. Segundo a mãe, Taynara Ohana da Silva, foi necessário recorrer à intubação e ao suporte de ventilação mecânica durante o período de internação.
A evolução clínica permitiu que Zenaldo deixasse a ventilação mecânica em julho deste ano. Apesar do avanço, ele recebeu alta hospitalar ainda utilizando traqueostomia, dispositivo que permite a passagem de ar diretamente pela traqueia e que continuará sendo acompanhado pela equipe responsável pelo tratamento.
Despedida da equipe
A saída do hospital foi acompanhada por familiares e profissionais que participaram da rotina do bebê durante os meses de internação. Para marcar o momento, a família organizou uma homenagem com música na saída da unidade.
A despedida contou com a participação da violinista Talita Vidal, que interpretou o louvor “Se Eu Não Te Ouvir”, da cantora Sarah Farias. Familiares e integrantes da equipe hospitalar acompanharam a apresentação.
Para Taynara, a alta representa uma mudança importante depois de meses de permanência no hospital. A mãe afirmou que a prioridade, neste momento, é dar continuidade aos cuidados necessários fora da UTI. “É um milagre ter meu bebê aqui”, disse.
Rotina de cuidados fora do hospital
Com a alta, a família iniciou uma nova etapa, que envolve adaptação da residência e organização de uma rotina voltada às necessidades específicas do bebê. Segundo Taynara, a preparação para a chegada de Zenaldo em casa precisou ser diferente daquela inicialmente planejada durante a gestação. A família terá de lidar com o uso de insumos e com procedimentos que passaram a fazer parte da rotina de cuidados.
O menino será acompanhado por profissionais de diferentes áreas, entre elas neurologia, gastroenterologia, fisioterapia e fonoaudiologia. Também está previsto acompanhamento no ambulatório de alto risco. A família ainda aguarda uma definição mais precisa sobre a condição de saúde de Zenaldo. Até o momento, os médicos identificaram uma disgenesia do corpo caloso, mas a investigação diagnóstica ainda não foi concluída.
Investigação genética
Como parte da investigação, o bebê deverá realizar um sequenciamento completo do exoma. O exame analisa regiões do material genético que podem apresentar alterações relacionadas a doenças ou síndromes e poderá contribuir para esclarecer a origem das alterações identificadas pelos médicos.
A disgenesia do corpo caloso é uma alteração no desenvolvimento de uma estrutura cerebral responsável pela comunicação entre os dois hemisférios do cérebro. De acordo com a neuropediatra Erika Tavares, a condição pode ocorrer de maneira isolada ou estar associada a síndromes.
A manifestação clínica varia de acordo com cada caso. Algumas pessoas podem não apresentar sintomas, enquanto outras podem desenvolver alterações neurológicas, cognitivas ou comportamentais, além de crises convulsivas.
A especialista explica que, quando a alteração ocorre de forma isolada, o acompanhamento depende dos sintomas apresentados pelo paciente. Entre as possibilidades estão tratamentos de reabilitação, como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.
Uma nova etapa para a família
Após nove meses dentro do ambiente hospitalar, a família passa a administrar em casa uma rotina que continuará exigindo acompanhamento médico e cuidados específicos. A alta, portanto, não representa o encerramento do tratamento, mas a transferência de parte da assistência para o ambiente domiciliar.
Taynara afirmou que a mudança provoca apreensão diante das novas responsabilidades, mas também representa a possibilidade de acompanhar o crescimento do filho fora do hospital. “Estamos nervosos. Agora, em casa, temos que aprender a fazer tudo”, relatou.
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