Meio ambiente

Após seis meses de cuidados, filhote de gato-do-mato retorna à Mata Atlântica em Cajati

Animal silvestre foi resgatado ainda filhote após se separar da mãe e passar por um processo de reabilitação voltado ao desenvolvimento das habilidades necessárias para a sobrevivência na natureza

Fêmea de gato-do-mato-pequeno-do-sul foi devolvida à Mata Atlântica após seis meses de reabilitação realizada por equipes especializadas em fauna silvestre - Imagem: Divulgação / Semil
Fêmea de gato-do-mato-pequeno-do-sul foi devolvida à Mata Atlântica após seis meses de reabilitação realizada por equipes especializadas em fauna silvestre - Imagem: Divulgação / Semil

Redação Publicado em 18/06/2026, às 21h04


Uma fêmea de gato-do-mato-pequeno-do-sul foi reintroduzida em seu habitat natural em Cajati, após seis meses de reabilitação, após ser resgatada quando ainda era filhote e se afastou da mãe.

O animal foi encontrado em um galinheiro e, durante o resgate, teve que escapar de cães, levando a sua internação no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres, onde recebeu cuidados especializados e treinamento para sobrevivência.

Após avaliações que confirmaram sua independência e adaptação, a gata foi solta em uma área adequada da Mata Atlântica, recebendo um microchip para identificação futura, embora não haja monitoramento contínuo após a soltura.

Uma fêmea de gato-do-mato-pequeno-do-sul voltou ao habitat natural nesta quinta-feira (18), em uma área protegida de Cajati, no Vale do Ribeira, após passar cerca de seis meses sob cuidados especializados. O animal foi resgatado quando tinha aproximadamente um mês de vida e, desde então, permaneceu em acompanhamento no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de Registro (Cetras-Registro).

Segundo informações da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), a filhote foi encontrada após se afastar da mãe e buscar abrigo em um galinheiro. Durante a ocorrência, ela também precisou escapar de um ataque de cães, situação que levou ao acionamento das equipes responsáveis pelo resgate.

Ao chegar ao centro de reabilitação, a jovem felina apresentava boas condições de saúde, mas exigia atenção constante em razão da pouca idade. Os técnicos adotaram protocolos específicos para evitar a aproximação excessiva com seres humanos, fator considerado fundamental para aumentar as chances de reintegração ao ambiente silvestre.

Durante os primeiros meses, a alimentação foi realizada por meio de mamadeiras em intervalos regulares ao longo do dia. À medida que o animal crescia, a dieta passou a incluir presas abatidas, permitindo o desenvolvimento gradual de comportamentos naturais relacionados à caça.

Na etapa seguinte do processo, a gata-do-mato foi transferida para recintos maiores e adaptados às características da espécie. O ambiente recebeu elementos que estimulavam deslocamentos, exploração territorial e estratégias de sobrevivência observadas na natureza.

Com a evolução do quadro, os profissionais introduziram presas vivas para que a felina pudesse aperfeiçoar técnicas de perseguição, emboscada e captura. De acordo com a Semil, o treinamento reproduz situações encontradas no ambiente natural e é considerado essencial para animais predadores.

O comportamento do animal passou a ser acompanhado por câmeras instaladas nos recintos. Entre os critérios avaliados estavam a capacidade de obter alimento de forma independente, a adaptação ao ambiente e a demonstração de aversão à presença humana, característica considerada indispensável para a sobrevivência em liberdade.

A chefe de departamento do Cetras-Registro, Hanna Sibuya Kokubun, destacou que a demonstração de independência e o afastamento espontâneo do contato humano representam importantes indicadores de sucesso no processo de reabilitação.

Após a conclusão das avaliações, a equipe técnica autorizou a soltura da fêmea em uma área de Mata Atlântica próxima à região onde ela havia sido encontrada. Segundo os responsáveis pelo programa, o retorno ocorreu em ambiente considerado adequado para a espécie e com condições favoráveis para sua adaptação.

Embora não haja monitoramento contínuo após a soltura, o animal recebeu um microchip de identificação. O dispositivo permite reconhecer o indivíduo caso ele seja localizado novamente em futuras ações de manejo ou monitoramento da fauna silvestre.