Notícias

Baixada Santista registra queda expressiva em internações por doenças respiratórias no início do inverno

Santos lidera a redução de internações hospitalares após os registros caírem de 110 para 10 casos em relação ao ano passado

Com mais de 260 mil doses aplicadas, cidades como São Vicente e Guarujá também apresentam queda significativa nas internações - Foto: Reprodução
Com mais de 260 mil doses aplicadas, cidades como São Vicente e Guarujá também apresentam queda significativa nas internações - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 25/06/2026, às 08h50


A queda expressiva nos registros de internações hospitalares por complicações pulmonares graves trouxe um alívio para os municípios da Baixada Santista no início deste inverno. O recuo mais acentuado foi identificado em Santos, onde as hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) despencaram de 110 para apenas 10 casos quando comparadas ao mesmo período de junho do ano passado. Essa tendência de melhora nos indicadores também se repetiu nas cidades vizinhas, que registram menor pressão no sistema público de saúde após a aplicação de mais de 260 mil doses da vacina contra a gripe.

Em São Vicente, os leitos ocupados por essas enfermidades recuaram 55,3%, caindo de 47 para 21 registros. Já em Guarujá, o balanço dos primeiros cinco meses deste ano apontou 99 casos de SRAG, contra 161 notificações computadas em 2025, enquanto Bertioga viu suas confirmações baixarem de 11 para quatro ocorrências. Atualmente, a cobertura vacinal atinge a marca de 39,4% em Santos e 35,8% em Guarujá, permitindo que a região inicie os meses mais frios com maior disponibilidade de vagas nos hospitais.

Apesar do cenário favorável, médicos e autoridades alertam que os cuidados preventivos cotidianos, como a higienização frequente das mãos e a ventilação natural dos ambientes, continuam indispensáveis para frear a circulação de patógenos como a Influenza A, o coronavírus e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

O impacto do frio nas vias aéreas e os riscos de coinfecção

O pneumologista Franco Martins explica que a queda nos termômetros altera diretamente os mecanismos de defesa do corpo humano.

  • Barreira comprometida: O ar frio e seco resseca a mucosa respiratória, facilitando o acesso e a fixação de micro-organismos nocivos. Cada declínio na temperatura eleva o risco de contrair infecções de origem viral.
  • Múltiplos vírus: O panorama atual revela a Influenza A como principal causa de internações, seguida pela covid-19 e pelo VSR, que ataca preferencialmente o público infantil.
  • Agravamento duplo: O perigo se eleva nos quadros de coinfecção, quando o indivíduo é infectado por dois vírus de forma simultânea ou desenvolve uma pneumonia bacteriana logo após o desgaste provocado pelo quadro viral.

Para quem convive com condições crônicas como diabetes, pressão alta ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a estação exige atenção redobrada, pois as baixas temperaturas podem provocar crises de broncoespasmo e limitação da capacidade respiratória. O especialista reforça que a vacinação atua encurtando o tempo da doença e reduzindo a carga viral expelida pelo doente, bloqueando o contágio.

Sintomas de urgência e postos de vacinação

As autoridades de saúde recomendam a busca imediata por atendimento médico caso o paciente apresente sinais de evolução negativa no quadro clínico. Os principais sintomas de alerta envolvem dificuldade para respirar, chiado ou cansaço no peito, febre prolongada acima de 37,8°C, apatia extrema, sonolência incomum ou reações de irritabilidade intensa e diminuição da urina em crianças.

Para manter os vírus sob controle, a imunização contra a gripe segue liberada para todos os moradores acima dos seis meses de idade em todas as unidades básicas da região. Em São Vicente, além dos postos tradicionais, há uma estrutura de atendimento funcionando no Shopping Brisamar para facilitar o acesso da população.