Investigação policial

Bebê de 4 meses morre após internação em Santos; pai é investigado por lesões

Criança apresentava fratura no crânio, hemorragia e hematomas pelo corpo; versões dadas pela família sobre a origem dos ferimentos foram consideradas incompatíveis com o quadro clínico, segundo a polícia

Bebê de quatro meses morreu após permanecer dois dias internada na UTI Pediátrica da Santa Casa de Santos com fratura no crânio, hemorragia e hematomas pelo corpo. O pai da criança é investigado pela Polícia Civil - Imagem: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal
Bebê de quatro meses morreu após permanecer dois dias internada na UTI Pediátrica da Santa Casa de Santos com fratura no crânio, hemorragia e hematomas pelo corpo. O pai da criança é investigado pela Polícia Civil - Imagem: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal

Redação Publicado em 28/08/2026, às 13h27


Uma bebê de quatro meses faleceu em Santos após dois dias internada com lesões graves, levando a Polícia Civil a investigar o pai, que apresentou versões contraditórias sobre o que causou os ferimentos. O jovem, que foi preso em flagrante, foi liberado após audiência de custódia, mas enfrenta acusações de maus-tratos e lesão corporal.

A criança chegou ao hospital com fraturas e hematomas, e os médicos indicaram que as lesões não condiziam com a explicação inicial dos pais, que alegaram um acidente com um carrinho. O pai alterou sua versão, afirmando que a bebê caiu de seu colo, mas essa explicação também foi considerada incompatível com a gravidade das lesões.

A investigação está sendo conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, que analisará depoimentos, registros médicos e exames periciais. Com a morte da bebê, a apuração buscará esclarecer a relação entre as lesões e o óbito, mas ainda não há conclusões definitivas sobre a dinâmica dos ferimentos.

Uma bebê de quatro meses morreu na terça-feira (25), em Santos, após permanecer dois dias internada na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica da Santa Casa com lesões graves. O pai da criança, um estudante de 20 anos, é investigado pela Polícia Civil depois de apresentar versões diferentes sobre o que teria provocado os ferimentos. Ele chegou a ser preso em flagrante no domingo (23), mas foi colocado em liberdade após audiência de custódia.

Segundo o boletim de ocorrência, a menina chegou ao hospital com fratura no crânio, hemorragia subaracnóidea e hematomas em diferentes partes do corpo. A hemorragia subaracnóidea ocorre quando há sangramento no espaço entre o cérebro e uma das membranas que o revestem.

De acordo com o registro policial, a equipe médica apontou já no atendimento inicial que as características e a gravidade das lesões não eram compatíveis com a explicação apresentada pelos responsáveis. A criança permaneceu internada por dois dias, mas não resistiu.

No primeiro relato dado no hospital, os pais afirmaram que a bebê havia caído acidentalmente de um carrinho dentro da residência. A versão passou a ser questionada depois da avaliação médica. Segundo o boletim de ocorrência, além das lesões relacionadas ao episódio que levou à internação, a criança apresentava hematomas considerados anteriores.

Ao prestar depoimento à polícia, o pai modificou a explicação sobre o que teria ocorrido. Ele afirmou que estava com a filha no colo quando a bebê caiu e que, durante uma tentativa de segurá-la, acabou empurrando a criança com força contra o chão. Segundo a Polícia Civil, essa versão também foi considerada incompatível com a extensão dos ferimentos apresentados pela menina. O boletim registra ainda que o jovem era o único familiar responsável pela criança no momento em que ocorreu o episódio que antecedeu a internação.

O pai foi preso em flagrante no domingo (23), data em que a bebê deu entrada na Santa Casa. Posteriormente, ele passou por audiência de custódia e foi colocado em liberdade por decisão judicial. A Polícia Civil o indiciou por maus-tratos, violência doméstica e lesão corporal. O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial de que existem elementos para atribuir formalmente a investigação ao suspeito, mas não equivale a uma condenação.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que o caso está sob investigação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos. A apuração deverá considerar os depoimentos, os registros hospitalares, exames periciais e demais elementos reunidos ao longo do inquérito. Com a morte da bebê, a investigação também deverá esclarecer a relação entre as lesões identificadas durante a internação e o óbito.

As informações divulgadas até agora não apontam uma conclusão pericial definitiva sobre a dinâmica dos ferimentos nem sobre a responsabilidade pela morte. O nome dos pais e a identidade da criança não foram divulgados.