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Câmara de Santos vota lei que veta condenados por crimes sexuais contra menores no serviço público

Vereadores discutem projeto que impede contratação de condenados por crimes sexuais em cargos públicos na cidade

A proposta visa proteger crianças e adolescentes de agressores, com restrições que se estendem por até 12 anos após a pena - Foto: Candido Gonzalez/ Prefeitura de Santos
A proposta visa proteger crianças e adolescentes de agressores, com restrições que se estendem por até 12 anos após a pena - Foto: Candido Gonzalez/ Prefeitura de Santos

Redação Publicado em 12/03/2026, às 08h49


A proteção de crianças e adolescentes está no centro das atenções da Câmara de Santos nesta quinta-feira (12). Os vereadores se reúnem em segunda discussão para votar o Projeto de Lei nº 29/2025, que proíbe a nomeação ou contratação de pessoas condenadas por crimes sexuais contra menores para cargos na administração pública. A proposta, que já passou com folga na primeira votação na última terça-feira (10), atinge diretamente quem pretende ocupar funções em locais sensíveis, como creches, escolas, abrigos e hospitais pediátricos.

De autoria do vereador Rafael Pasquarelli (União Brasil), o texto estabelece uma barreira rigorosa: qualquer nomeação ou posse será considerada nula se o candidato tiver uma condenação judicial transitada em julgado (quando não há mais recursos). O "olhar" do projeto é de longo prazo, já que a restrição começa no momento da condenação e se estende por até 12 anos após o cumprimento total da pena. A medida busca garantir que indivíduos com esse histórico não tenham acesso facilitado a um público que se encontra em situação de vulnerabilidade.

Abrangência e rigor na fiscalização

A proposta não deixa margens para interpretações vagas e lista detalhadamente os crimes que geram o impedimento. Estão incluídos desde o estupro de vulnerável e a corrupção de menores até o favorecimento da prostituição e a divulgação ou posse de pornografia infantil, inclusive no ambiente digital. Além disso, a lei prevê que, se a condenação definitiva ocorrer enquanto o servidor já estiver exercendo o cargo, a nomeação poderá ser anulada imediatamente.

Para que a lei saia do papel e seja efetiva, o projeto cria um filtro obrigatório antes da assinatura de qualquer contrato. Confira os pontos principais desse mecanismo de controle:

Verificação de antecedentes e sigilo

Antes de qualquer nomeação ou admissão, o órgão responsável pela contratação na prefeitura ou na câmara deverá, obrigatoriamente, solicitar a certidão de antecedentes criminais do candidato. Essa checagem será o "pedágio" necessário para garantir a segurança da rede municipal de ensino e saúde. O projeto também se preocupa com a segurança jurídica e a privacidade, determinando que todos os dados consultados nesse processo sejam mantidos sob sigilo pela administração pública, sendo utilizados exclusivamente para o cumprimento da lei.

Proteção como prioridade máxima

Na justificativa do projeto, Pasquarelli destaca que a violência sexual contra menores é uma realidade alarmante que exige ações drásticas do poder público. O parlamentar defende que a contratação de pessoas com esse histórico representa um risco elevado, baseando-se na possibilidade de reincidência e no dever do Estado de promover os direitos das crianças. Segundo o texto, o objetivo não é apenas punitivo, mas preventivo, visando construir uma estrutura pública onde os pais santistas possam confiar plenamente nos profissionais que atendem seus filhos.

Caso receba o sinal verde definitivo dos vereadores hoje, o projeto seguirá para a mesa do prefeito Rogério Santos (Republicanos). O chefe do Executivo terá a palavra final para sancionar ou vetar a proposta. Se sancionada, a lei colocará Santos em um grupo de cidades que utilizam a legislação municipal como uma camada extra de blindagem para o desenvolvimento seguro e saudável de suas futuras gerações.