Especialista alerta para sinais da doença, importância da tomografia em grupos de risco e impacto positivo de abandonar o tabagismo

Redação Publicado em 27/08/2026, às 14h56
A descoberta do câncer de pulmão em uma fase inicial pode fazer diferença significativa no tratamento. Apesar disso, a maioria dos diagnósticos ainda ocorre quando a doença já está avançada. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente 16% dos casos são identificados precocemente.
A poucos dias do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, o oncologista Jorge Abissamra Filho, coordenador da equipe médica de Oncologia da Hapvida, reforça a necessidade de ampliar a atenção aos grupos com maior risco e de combater o principal fator associado à doença: o tabagismo.
Nos estágios iniciais, dependendo das características do tumor, cirurgia e radioterapia podem oferecer possibilidades de tratamento com intenção curativa. Outras modalidades, como quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, também podem ser indicadas conforme cada caso.
“Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a possibilidade de cura”, afirma o médico.
O impacto do diagnóstico precoce também aparece na sobrevida. Dados do INCA apontam que 56% dos pacientes identificados inicialmente continuam vivos cinco anos após o diagnóstico. Quando são considerados todos os estágios da doença, o percentual é de apenas 18%.
Por que o câncer de pulmão pode passar despercebido?
A capacidade funcional do pulmão faz com que pequenos tumores possam crescer sem provocar sintomas perceptíveis. A localização da lesão também influencia, principalmente quando ela está distante dos brônquios maiores.
Quando os sinais aparecem, podem ser confundidos com outras doenças. Tosse que não desaparece, dificuldade para respirar, cansaço, rouquidão, dor no tórax e perda de peso sem motivo aparente são possíveis manifestações.
Um dos sinais que mais exige atenção é a presença de sangue ao tossir. Nessa situação, a recomendação é procurar avaliação médica rapidamente.
Tomografia pode ajudar na descoberta precoce
Para pessoas que apresentam maior risco de desenvolver câncer de pulmão, o rastreamento pode contribuir para identificar tumores pequenos antes do aparecimento dos sintomas.
A recomendação internacional mais utilizada prevê tomografia computadorizada de tórax de baixa dose uma vez por ano para pessoas entre 50 e 80 anos, com histórico de pelo menos 20 maços-ano, que ainda fumam ou deixaram de fumar há menos de 15 anos.
A indicação deve ser individualizada e definida em conjunto com o médico.
“O rastreamento correto pode permitir encontrar um câncer quando ele ainda é pequeno, assintomático e potencialmente curável”, explica Abissamra.
Vape não deve ser tratado como produto sem risco
O uso de cigarros eletrônicos aumentou nos últimos anos, mas os especialistas ainda não dispõem de estudos de acompanhamento tão longos quanto os existentes para o cigarro convencional.
Por isso, ainda não é possível estabelecer com a mesma precisão o risco de câncer de pulmão relacionado ao uso desses dispositivos. Isso não significa, porém, que eles sejam inofensivos. Os aerossóis produzidos pelos vapes podem conter nicotina, metais, partículas ultrafinas e substâncias potencialmente tóxicas e carcinogênicas.
Quanto antes parar de fumar, melhor
Os benefícios de abandonar o cigarro começam rapidamente. Nas primeiras horas e nos primeiros dias, o organismo já apresenta mudanças positivas relacionadas à circulação e à respiração.
A redução do risco de câncer de pulmão ocorre mais lentamente. Depois de aproximadamente dez a 15 anos sem fumar, a queda é significativa em comparação com quem mantém o hábito.
Ainda que o risco possa continuar superior ao de uma pessoa que nunca fumou, interromper o tabagismo oferece benefícios mesmo para quem consumiu cigarros durante décadas.
“Nunca é tarde para parar. Mesmo uma pessoa que fuma há décadas obtém benefício ao abandonar o cigarro”, destaca o oncologista.
A mensagem para o Dia Nacional de Combate ao Fumo é direta, segundo Abissamra: “Não existe consumo seguro de cigarro”.
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