Memória e patrimônio

Capela subterrânea da Catedral de Santos guarda restos mortais de mais de 1,5 mil pessoas

Cripta construída em 1969 reúne ossuários, túmulos de religiosos e um espaço destinado a orações; local pode ser visitado pelo público

Localizada no subsolo da Catedral de Santos, a Capela das Almas reúne mais de 1,5 mil restos mortais, além de túmulos de bispos e sacerdotes ligados à história da Igreja Católica na região - Imagem: Reprodução/TV Tribuna
Localizada no subsolo da Catedral de Santos, a Capela das Almas reúne mais de 1,5 mil restos mortais, além de túmulos de bispos e sacerdotes ligados à história da Igreja Católica na região - Imagem: Reprodução/TV Tribuna

Redação Publicado em 17/08/2026, às 16h54


A Capela das Almas, localizada no subsolo da Catedral de Santos, abriga os restos mortais de mais de 1,5 mil pessoas, incluindo religiosos e fiéis, e representa uma tradição das catedrais católicas de preservar a memória de seus membros.

Concluída em 1969, a cripta foi ampliada na década de 1980 para incluir fiéis não pertencentes à Igreja, refletindo uma mudança na abordagem da instituição em relação ao sepultamento e à memória coletiva.

A Capela permanece aberta para visitação diária, permitindo que os visitantes conheçam a história religiosa da região e a importância do espaço na trajetória da Igreja Católica em Santos.

Sob a Catedral de Santos, um dos principais marcos religiosos e históricos do município, existe um espaço que passa despercebido por quem circula pela Praça José Bonifácio. A Capela das Almas, localizada no subsolo da igreja, abriga atualmente os restos mortais de mais de 1,5 mil pessoas, entre religiosos e fiéis.

A cripta foi concluída em 1969 e, além do ossuário, reúne túmulos de bispos e sacerdotes que tiveram atuação na Diocese de Santos. O ambiente também possui um altar utilizado para momentos de oração e celebrações religiosas.

A existência do espaço está relacionada à própria tradição das catedrais católicas de preservar os restos mortais de integrantes do clero. Segundo Elenita Fernandes, administradora da Catedral de Santos, a cripta foi estruturada para receber os bispos e padres ligados à instituição.

A utilização do subsolo não ficou restrita aos membros do clero. Conforme relatado por Elenita à TV Tribuna, na década de 1980 o então monsenhor Leite propôs a ampliação do espaço para que também pudesse receber os restos mortais de fiéis que não pertenciam à Igreja. A medida deu origem ao ossuário que atualmente ocupa parte da cripta. Ao longo das décadas, o local passou a reunir mais de 1,5 mil restos mortais.

O espaço é organizado em lóculos, onde são depositados os restos mortais. A cripta também preserva a memória de religiosos que tiveram participação na história da Igreja Católica na região.

Entre as pessoas sepultadas no local estão Dom David Picão, que foi bispo de Santos por mais de 30 anos e participou da expansão da cripta, e Dom Idílio José Soares, apontado como um dos responsáveis pela criação da primeira faculdade da Baixada Santista. A presença desses religiosos faz da Capela das Almas não apenas um espaço de sepultamento, mas também um local relacionado à trajetória da Igreja Católica em Santos.

A Catedral, por sua vez, possui uma história que remonta ao período colonial. A igreja foi criada em 1545, na região da atual Praça José Bonifácio, e é vinculada à Paróquia de Nossa Senhora do Rosário Aparecida, considerada a mais antiga do município. Em 1925, com a criação da Diocese de Santos pelo papa Pio XI, a igreja passou a ter o status de catedral.

Espaço recebe visitantes

Apesar da função funerária, a Capela das Almas permanece aberta para visitação. Segundo a administração da Catedral, o acesso pode ser feito todos os dias, das 8h às 17h, exceto em feriados. A visitação permite conhecer uma parte pouco visível da Catedral de Santos e, ao mesmo tempo, acompanhar registros da história religiosa do município preservados no subsolo do templo.