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Capivara morta é retirada de canal Santos-Guarujá após dias na água

Presidente do Instituto Eliseu critica a indolência das autoridades após a morte do animal

A situação da capivara levantou questões sobre a eficácia da coordenação entre as prefeituras de Santos e Guarujá - Imagem: Reprodução
A situação da capivara levantou questões sobre a eficácia da coordenação entre as prefeituras de Santos e Guarujá - Imagem: Reprodução

Gabriella Souza Publicado em 11/12/2025, às 08h37


Uma capivara foi encontrada sem vida no canal por onde passam as balsas (catraias) que ligam Santos a Guarujá, na última terça-feira (09). O animal, que havia sido visto na área por pelo menos dois dias, teve um final triste após uma série de tentativas frustradas de resgate.

O caso gerou indignação e tristeza entre os moradores e ativistas da causa animal. Leila Abreu, presidente do Instituto Eliseu (que cuida de bichos abandonados ou maltratados na região), expressou profundo pesar pelo que chamou de "indolência" e "pouco caso" das autoridades.

"Foi um tremendo jogo de empurra, mandaram respostas prontas [...] Então, na verdade, foi indolência. Pouco caso, foi o que aconteceu", lamentou Leila Abreu após a confirmação da morte.

Segundo ela, a capivara foi achada morta por um balseiro (catraieiro) no fim da tarde de terça (09), e o desfecho trágico seria resultado da falta de ação rápida para socorrer o bicho. O corpo foi retirado da água, mas não se sabe para onde foi levado.

A história da capivara começou no domingo (07) pela manhã, quando ela apareceu perto do cais do Porto de Santos. A Autoridade Portuária de Santos (APS) confirmou ter chamado o Corpo de Bombeiros, porém, assim que os agentes se aproximaram, o bicho pulou na água.

No dia seguinte, segunda-feira (08), por volta das 7h, o animal foi visto novamente por pessoas que faziam a travessia. Em vídeos feitos pelos populares, a capivara estava parada, mas com a cabeça para fora da água. Eles avisaram novamente as equipes de resgate, mas, segundo os moradores, ninguém veio ajudar.

A situação se tornou tão crítica que, na terça-feira (9), a presidente do Instituto Eliseu gravou um vídeo pedindo socorro imediato para a capivara.

Burocracia para retirada

O pedido de ajuda foi parar em várias mesas. Tanto a Prefeitura de Santos quanto a Prefeitura de Guarujá disseram ter agido, mas a confusão de competências parece ter atrapalhado a resolução do problema.

A Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Segurança Climática (Semam), informou que soube do caso e pediu à Guarda Portuária para que solicitasse o resgate aos órgãos responsáveis.

Já a Prefeitura de Santos comunicou que a Guarda Civil Municipal (GCM) fez buscas no local, mas não conseguiu encontrar o animal. A GCM também solicitou apoio da Guarda Portuária para tentar cercar a capivara e aplicar um sedativo, caso a encontrasse.

Apesar de todas essas comunicações, a APS declarou em nota que "desconhece a informação de que qualquer indivíduo da espécie tenha sido encontrado morto na região do Porto". O posicionamento da entidade contrasta com o relato dos moradores e ativistas que acompanharam a situação de perto.

A triste morte da capivara levanta um debate importante sobre a coordenação entre as diferentes autoridades de Santos e Guarujá quando se trata de socorrer animais selvagens em áreas portuárias e marítimas.