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Chuvas aumentam o aparecimento de caramujo africano e prefeituras da Baixada fazem alerta

Especialistas orientam o uso obrigatório de luvas na coleta e descarte em salmoura ou água sanitária antes do descarte no lixo

Alta da umidade faz molusco deixar esconderijos; órgãos de saúde explicam que conchas vazias podem virar criadouros de dengue - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Balneário Arroio da Silva
Alta da umidade faz molusco deixar esconderijos; órgãos de saúde explicam que conchas vazias podem virar criadouros de dengue - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Balneário Arroio da Silva

Redação Publicado em 25/05/2026, às 09h07


O avanço do período de chuvas e a elevação dos índices de umidade acenderam o alerta das autoridades de saúde na Baixada Santista. Prefeituras da região reforçaram as campanhas de orientação e monitoramento devido ao aumento no aparecimento do caramujo africano (Achatina fulica) em perímetros urbanos.

Embora os municípios litorâneos não registrem surtos da espécie, o manejo correto é considerado vital pelos órgãos de vigilância sanitária. A preocupação é dupla: evitar o risco de contaminação por parasitas graves e impedir que as conchas vazias desses moluscos acumulem água da chuva, transformando-se em criadouros potenciais para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

De acordo com o biólogo Jorge Luís, a maior visibilidade do bicho nesta época do ano está atrelada ao comportamento biológico e às condições climáticas da região.

“Em períodos mais quentes e secos, ele fica protegido em esconderijos que, em épocas de chuva, podem alagar e dificultar sua permanência nesses locais”, explica o especialista Jorge Luís, apontando que o excesso de água força os moluscos a deixarem a terra em busca de superfícies secas, como muros e paredes.

Introduzido ilegalmente no Brasil na década de 1980 como uma alternativa frustrada ao escargot, o caramujo africano pode atingir até 10 centímetros de comprimento e possui uma reprodução extremamente rápida. A espécie é monitorada de perto pelas autoridades médicas por ser hospedeira potencial de vermes nematódeos, capazes de transmitir doenças graves a seres humanos, como a meningite eosinofílica e infecções abdominais severas.

Como fazer o manejo e descarte seguro

Especialistas alertam que o perigo não está apenas em tocar no animal, mas também no contato indireto com a trilha de muco brilhante que ele deixa por onde passa. O trato digestório, a saliva e as fezes do caramujo podem conter larvas de parasitas.

Para realizar a retirada dos quintais, canteiros ou calçadas com total segurança, a população deve seguir o protocolo recomendado pelas vigilâncias sanitárias:

  1. Proteção obrigatória: Nunca toque no animal diretamente com as mãos limpas. Utilize luvas de borracha ou improvise cobrindo as mãos com sacos plásticos grossos.
  2. Coleta manual: Recolha os caramujos um a um e coloque-os dentro de um balde ou recipiente resistente.
  3. Processamento químico: Para eliminar os focos, existem duas técnicas eficazes: mergulhar os animais em uma solução de salmoura (água saturada com sal) por cerca de 15 minutos; ou deixá-los imersos em uma solução de água sanitária por um período de 24 horas.
  4. Descarte final: Após a higienização completa e a certeza de que os moluscos estão mortos, as conchas devem ser quebradas (para não juntar água) e podem ser ensacadas para envio junto ao lixo comum doméstico.

O que NÃO fazer: As autoridades alertam que o caramujo africano nunca deve ser consumido sob nenhuma hipótese, nem suas conchas utilizadas como artesanato ou ornamento. Também não é recomendado jogar sal de cozinha diretamente sobre o solo ou canteiros, pois a prática saliniza a terra, queima a vegetação e pode provocar a intoxicação de animais de estimação (cães e gatos).

Combate aos "4 As" e panorama na Baixada Santista

Como a umidade alta e o calor são características naturais do microclima da Baixada Santista, o controle eficaz do molusco depende diretamente da eliminação dos chamados “4 As”: Alimento, Abrigo, Água e Acesso. Para isso, o poder público e a população precisam atuar em conjunto na manutenção de terrenos baldios, eliminação de mato alto, entulhos e lixo acumulado, locais que servem de moradia perfeita para o animal.

As prefeituras adotam estratégias diversificadas para conter o avanço do molusco:

  • Guarujá: Utiliza a aplicação de barreiras químicas preventivas com cal e o uso monitorado de lesmicidas em áreas com maior incidência;
  • Cubatão: Agentes de combate a endemias realizam um trabalho de panfletagem e educação ambiental porta a porta com os moradores;
  • Praia Grande: O setor de Informação, Educação e Comunicação (IEC) promove campanhas educativas itinerantes voltadas a alunos da rede pública e frequentadores de feiras livres;
  • São Vicente: A Secretaria de Saúde informou que a situação segue monitorada e estável, com apenas cinco ocorrências notificadas desde o início do ano.

As administrações de Santos, Praia Grande, Cubatão e São Vicente reforçam que o volume de chamados da população permanece sob total controle técnico e que não há qualquer indicativo de infestação generalizada na região.