Porto de Santos

Cinco meses após afundar, navio histórico segue à espera de autorização para deixar o cais do Valongo

Professor W. Besnard foi reflutuado em junho, mas o reboque para um estaleiro ainda depende de documentos exigidos pela Marinha para garantir a segurança da operação

O navio Professor W. Besnard foi reflutuado em junho, mas segue no cais do Valongo aguardando autorização para ser rebocado. - Imagem: Diego Bertozzi / TV Tribuna
O navio Professor W. Besnard foi reflutuado em junho, mas segue no cais do Valongo aguardando autorização para ser rebocado. - Imagem: Diego Bertozzi / TV Tribuna

Redação Publicado em 08/08/2026, às 14h38


O navio histórico Professor W. Besnard, que afundou parcialmente no cais do Valongo em março, ainda aguarda autorização para ser rebocado até um estaleiro, permanecendo atracado no Porto de Santos após ser reflutuado em junho.

A Capitania dos Portos de São Paulo não liberou o reboque devido à falta de documentos necessários, e a operação é considerada complexa, com preocupações sobre possíveis impactos na operação portuária e no meio ambiente.

A Marinha do Brasil destaca que a liberação do reboque depende da apresentação e aprovação da documentação exigida, enquanto a Autoridade Portuária de Santos já investiu R$ 8,6 milhões na reflutuação da embarcação.

Quase cinco meses após afundar parcialmente no cais do Valongo, em Santos, o navio histórico Professor W. Besnard ainda permanece atracado no Porto de Santos aguardando autorização para ser rebocado até um estaleiro. A embarcação foi reflutuada em junho, mas a operação de remoção definitiva continua sem data para ocorrer.

Segundo informações apuradas pelo g1 Santos, a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) ainda não autorizou o reboque porque aguarda o envio de documentos necessários para concluir a análise técnica do procedimento. A expectativa inicial era que a embarcação fosse transferida para um estaleiro ainda em maio, mas o cronograma acabou sendo adiado.

A Marinha do Brasil informou ao g1 Santos que o reboque de uma embarcação nas condições do Professor W. Besnard exige uma série de medidas de segurança para evitar acidentes que possam comprometer o meio ambiente, a navegação e o fluxo de embarcações no maior porto da América Latina.

O navio afundou em 13 de março, após a entrada de água provocada pelas fortes chuvas. A embarcação estava fora de operação desde 2008 e passava por reformas quando foi doada ao Instituto do Mar (Imar).

De acordo com a Marinha, a liberação do reboque depende da apresentação e aprovação de toda a documentação exigida para esse tipo de manobra. Enquanto isso, o navio permanece no cais do Valongo, onde foi reflutuado no dia 15 de junho.

A preocupação das autoridades marítimas é evitar que uma eventual falha durante o deslocamento da embarcação provoque impactos na operação portuária. Um incidente durante o reboque poderia afetar o canal de acesso ao porto, a entrada e saída de navios, o embarque e desembarque de mercadorias e a logística de transporte de cargas entre terminais e indústrias da região.

A operação de reflutuação foi considerada uma das mais complexas realizadas recentemente no Porto de Santos. Para retirar a embarcação da condição de naufrágio parcial, a Autoridade Portuária de Santos (APS) contratou a empresa Marfort por R$ 8,6 milhões. O trabalho envolveu o uso de guindaste, bombas de sucção e equipamentos especializados para estabilizar o navio.

Apesar do sucesso da reflutuação, o destino do Professor W. Besnard permanece indefinido. A embarcação continua aguardando a autorização oficial para ser deslocada, enquanto a Marinha acompanha o processo e reforça que a prioridade é garantir que a operação ocorra dentro dos padrões técnicos e de segurança.

O caso do navio histórico ganhou grande repercussão desde o afundamento, tanto pelo valor simbólico da embarcação quanto pelos impactos potenciais que um incidente dessa natureza pode causar às atividades do Porto de Santos.