Mulher de 28 anos afirma que apenas “tocou” a testa da funcionária após discussão; testemunha relata xingamentos raciais, e caso é investigado pela Polícia Civil.

Ana Beatriz Publicado em 22/12/2025, às 15h15
A mulher de 28 anos que agrediu uma funcionária de 17 anos em uma loja de variedades em Mongaguá, no litoral de São Paulo, afirmou à Polícia Civil que foi provocada pela adolescente e negou ter cometido injúria racial. O caso ocorreu no último domingo (14) e foi registrado como lesão corporal e ameaça.
Em depoimento, a cliente declarou que estava no caixa para pagar uma campainha e três bolsas quando questionou a operadora sobre o funcionamento do produto. Segundo ela, a resposta teria sido vaga e, em seguida, houve erro no registro do valor de uma das bolsas. A mulher afirmou que, ao apontar o equívoco, percebeu irritação por parte da funcionária.
Ainda de acordo com o relato, a adolescente teria adotado uma postura considerada “arrogante” e debochada, inclusive em relação à mãe da cliente, que pediu para falar com a gerência e foi informada de que a responsável não estava no local. A mulher disse que, após se sentir provocada, passou a ameaçar verbalmente a jovem e que apenas “tocou” a testa dela com a mão, negando que tenha desferido um tapa.
A cliente também negou ter feito ofensas de cunho racial e afirmou que passou a receber ameaças virtuais após a repercussão do caso. No entanto, uma testemunha relatou à polícia que, ao deixar o estabelecimento, a mulher teria xingado a funcionária com termos racistas, como “macaca” e “neguinha”. A adolescente não teria ouvido os xingamentos, segundo a mãe.
A mãe da funcionária, que preferiu não se identificar, disse que a filha é jovem aprendiz há cerca de seis meses na loja e não conhecia a cliente. Segundo ela, o episódio aconteceu após a adolescente retornar do banheiro e retomar o atendimento no caixa. A jovem teria registrado três bolsas com o mesmo valor — duas iguais e uma diferente — e foi questionada de forma ríspida.
De acordo com o relato da mãe, a funcionária pediu o cancelamento do erro e evitou contato visual ao notar a alteração no comportamento da cliente. “A minha filha não retrucou em nenhum momento as agressões verbais”, afirmou. Ainda segundo ela, a cliente colocou a mão por baixo de um plástico existente no balcão e bateu no rosto da adolescente, que se assustou e levantou o braço por reflexo.
A mãe afirmou ainda que a mulher voltou a ameaçar a jovem, dizendo que a cidade era pequena e que iria encontrá-la fora da loja. O caso só foi comunicado à família no fim do expediente. A adolescente procurou atendimento médico no Pronto-Socorro Central e registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Mongaguá.
Segundo a mãe, imagens do sistema de monitoramento do estabelecimento contradizem a versão de que a funcionária teria discutido com a cliente. Ela ressaltou que, independentemente de qualquer desentendimento, nada justificaria a agressão física. “Um tapa no rosto tira a honra. Minha filha é menor de idade”, afirmou.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a ocorrência foi registrada como lesão corporal e ameaça. A polícia destacou que, nos casos de lesão corporal, é necessária a representação criminal da vítima para o prosseguimento das investigações.

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