Risco ambiental

Colmeia de abelhas africanizadas é removida de residência após ataques em Guarujá

Enxame ocupava o forro de um quarto na comunidade Prainha, em Vicente de Carvalho, e foi retirado por agentes municipais após moradores e vizinhos serem atacados

Colmeia de abelhas africanizadas foi retirada do forro de um quarto em uma residência na comunidade Prainha, em Guarujá, após registros de ataques a moradores e vizinhos - Imagem: Divulgação/Polícia Militar
Colmeia de abelhas africanizadas foi retirada do forro de um quarto em uma residência na comunidade Prainha, em Guarujá, após registros de ataques a moradores e vizinhos - Imagem: Divulgação/Polícia Militar

Redação Publicado em 21/08/2026, às 15h58


Uma colmeia de abelhas africanizadas foi removida de uma residência em Guarujá após ataques a moradores, levando a Prefeitura a acionar o Grupamento de Defesa Ambiental para o manejo dos insetos.

As abelhas africanizadas, conhecidas por sua resposta defensiva intensa, podem atacar em grande número, o que representa um risco significativo para a população local, especialmente em áreas residenciais.

A operação de remoção foi realizada sem incidentes, com segurança providenciada pela Polícia Militar, e as abelhas foram soltas em uma área de mata, destacando a importância de evitar tentativas de remoção por conta própria em situações semelhantes.

Uma colmeia de abelhas africanizadas foi removida na noite de quarta-feira (19) do forro de uma residência na comunidade Prainha, no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Segundo a Prefeitura, o enxame já havia atacado moradores e vizinhos, o que levou ao acionamento do Grupamento de Defesa Ambiental (GDA) da Guarda Municipal para realizar o manejo dos insetos.

A colmeia estava instalada no forro de um dos quartos e, de acordo com a administração municipal, tinha grandes proporções e concentrava um número elevado de abelhas. Para alcançar o enxame, a equipe precisou retirar parte da estrutura de PVC do imóvel.

O trabalho se estendeu durante a noite e foi realizado sem intercorrências. Após a retirada, a colmeia e as abelhas foram transportadas para uma área de mata no Morro do Icanhema, onde o enxame foi solto.

Durante a operação, policiais do 21º Batalhão de Polícia Militar do Interior fizeram a segurança do perímetro para garantir condições adequadas para a atuação dos agentes ambientais.

As abelhas africanizadas pertencem à espécie Apis mellifera e surgiram a partir do cruzamento entre linhagens africanas e europeias. Segundo o biólogo Eric Comin, esse tipo de abelha apresenta resposta defensiva intensa quando percebe ameaças próximas à colmeia. Vibrações e ruídos podem ser identificados pelos insetos a dezenas de metros do ninho.

O risco associado aos ataques não está necessariamente na maior toxicidade do veneno, mas na capacidade de reação coletiva do enxame. Após uma ferroada, a abelha libera uma substância química de alarme que pode estimular outros indivíduos a atacar o mesmo alvo.

Em situações de perturbação, centenas ou até milhares de insetos podem deixar o ninho. Segundo o especialista, as abelhas africanizadas também podem perseguir uma pessoa por até aproximadamente 400 metros e permanecer agitadas durante horas.

Ao encontrar uma colmeia ou um enxame concentrado próximo a residências, estabelecimentos ou áreas de circulação, a recomendação é manter distância e evitar qualquer tentativa de retirada por conta própria.

Movimentações bruscas, impactos na estrutura onde a colmeia está instalada, ruídos ou tentativas de atingir os insetos podem desencadear uma reação defensiva do enxame. Em caso de ataque, a orientação é sair rapidamente da área e procurar um ambiente fechado, como uma casa ou um veículo. O rosto e a cabeça devem ser protegidos durante a fuga.

Entrar na água não é considerado uma alternativa segura, porque as abelhas podem continuar sobrevoando o local e retomar o ataque quando a pessoa voltar à superfície. Após as ferroadas, os ferrões devem ser retirados o mais rápido possível. A recomendação apresentada pelo especialista é raspá-los com um objeto rígido ou com a própria unha, evitando apertá-los diretamente.

Compressas frias podem ajudar a reduzir dor e inchaço. Pessoas atingidas por diversas ferroadas ou que apresentem dificuldade para respirar, inchaço intenso ou sinais de reação alérgica devem procurar atendimento médico imediatamente.

O episódio desta semana ocorre menos de dois meses depois de outro ataque de abelhas registrado em Guarujá. Em 27 de junho, um homem morreu após ser atacado por um enxame enquanto capinava um terreno na Rua Agenor de Assis, no bairro Vila Itapema.

A vítima foi socorrida inconsciente e levada ao pronto-socorro de Vicente de Carvalho, mas não resistiu. Na ocasião, o Grupamento de Defesa Ambiental também foi acionado para realizar a retirada da colmeia responsável pelo ataque.