Praia Grande

Com 15 ecopontos, Praia Grande avança na logística reversa e retira toneladas de vidro das ruas

Volume de embalagens recolhidas saltou de 4.075 kg em abril para 5.310 kg no consolidado de junho

Iniciativa ajuda a evitar acidentes com coletores de lixo e combate focos do mosquito transmissor da dengue - Imagem: Will Urbano / Arquivo Prefeitura de Praia Grande
Iniciativa ajuda a evitar acidentes com coletores de lixo e combate focos do mosquito transmissor da dengue - Imagem: Will Urbano / Arquivo Prefeitura de Praia Grande

Redação Publicado em 10/07/2026, às 16h37


O programa de reciclagem e logística reversa de vidro em Praia Grande apresentou um crescimento expressivo em seu volume de captação. O total de embalagens descartadas nos novos contêineres instalados na cidade saltou de 4.075 quilos em abril para 5.310 quilos em junho de 2026, representando um incremento de aproximadamente 30% na coleta desse material.

Na avaliação de Israel Lucas Evangelista, secretário adjunto da Secretaria de Serviços Urbanos (Sesurb), os indicadores comprovam a rápida adesão da comunidade e, de forma especial, dos comerciantes locais que trabalham diretamente com embalagens descartáveis, como as garrafas de cerveja long neck.

Foco nos centros comerciais e conscientização porta a porta

A estratégia municipal concentra 15 contêineres posicionados em pontos estratégicos e de alta densidade comercial. O mapeamento priorizou áreas que agregam múltiplos estabelecimentos de gastronomia e entretenimento, como bares, quiosques e restaurantes, que geram o maior fluxo de resíduos de vidro.

Para impulsionar o engajamento do setor privado, a Sesurb estruturou as seguintes ações de apoio:

  • Parceria Institucional: Trabalho conjunto com a Subsecretaria de Ações e Cidadania;
  • Busca Ativa: Realização de 112 visitas técnicas de orientação aos comerciantes logo no primeiro mês;
  • Comunicação Visual: Distribuição de panfletos informativos, fixação de cartazes informativos e disponibilização de códigos QR Code para consulta de mapas e horários de coleta;
  • Logística Dinâmica: Remanejamento físico dos coletores para acompanhar as flutuações de demanda nas diferentes praças e bairros da cidade.

Acordo de cooperação e o programa "Vidro Vira Vidro"

A infraestrutura foi viabilizada por meio de um acordo de cooperação técnica firmado em fevereiro entre a Prefeitura (via Sesurb e com suporte da Secretaria de Meio Ambiente - Sema) e duas empresas privadas do setor: a Verallia (fabricante de embalagens que doou e gerencia os contêineres) e a Massfix (multinacional responsável pela triagem, trituração e destinação final para as indústrias de fundição).

Cada ecoponto blindado tem capacidade nominal para armazenar até 800 quilos de vidro. Para orientar moradores, turistas e trabalhadores, os dispositivos trazem adesivos didáticos com as regras de descarte correto.

O sistema aceita potes, garrafas de bebidas, frascos de perfume e cosméticos, copos comuns e vidros quebrados em geral. Por outro lado, é expressamente proibido descartar nesses locais materiais como cristais, porcelanas, cerâmicas, louças, lâmpadas de qualquer modelo, telas de TV ou monitores, espelhos, frascos de medicamentos e lixo hospitalar.

Além do ganho ecológico, o descarte correto protege os coletores de lixo contra cortes e acidentes graves de trabalho, uma vez que o material perfurocortante deixa de ser misturado ao lixo domiciliar comum.

Sustentabilidade, saúde pública e o ciclo infinito do material

O vidro possui uma característica industrial única: é 100% reciclável e pode passar pelo processo de fusão infinitas vezes sem perder suas propriedades mecânicas, transparência ou qualidade estrutural. Na prática, uma garrafa descartada em Praia Grande retorna à fábrica e se transforma em uma embalagem nova, reduzindo a necessidade de minerar matérias-primas na natureza (como areia, barrilha e calcário) e diminuindo drasticamente a queima de combustível e a emissão de dióxido de carbono ($CO_2$) nas indústrias.

A medida também gera reflexos imediatos na saúde pública da Baixada Santista. O recolhimento rápido de recipientes impede que garrafas e potes vazios fiquem expostos a céu aberto nas calçadas, acumulando água das chuvas e transformando-se em criadouros potenciais para o mosquito Aedes aegypti, vetor de transmissão da dengue, zika e chikungunya.

Estudos científicos apontam que o tempo de decomposição do vidro na natureza é indeterminado, variando de 4 mil a 1 milhão de anos para sofrer erosão física completa, já que ele não é biodegradável. Apesar de sua circularidade total, dados da Verallia revelam que 75% do vidro consumido no Brasil ainda é enterrado incorretamente em aterros sanitários e lixões, evidenciando a importância de programas estruturados de educação ambiental como o executado no município.