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Com técnicos e mergulhadores, resgate de navio histórico avança no cais santista

Operação emergencial de R$ 8,6 milhões utiliza bombas de sucção e mergulhadores no Valongo

O naufrágio do Professor Besnard foi causado por falhas elétricas e fortes temporais, resultando em danos significativos à embarcação - Foto: Diego Bertozzi/TV Tribuna
O naufrágio do Professor Besnard foi causado por falhas elétricas e fortes temporais, resultando em danos significativos à embarcação - Foto: Diego Bertozzi/TV Tribuna

Redação Publicado em 05/06/2026, às 09h39


A histórica embarcação Professor Besnard, considerada um dos maiores símbolos da pesquisa científica marinha do Brasil, entrou em uma fase decisiva de sua operação de resgate no Porto de Santos. Afundado parcialmente há quase três meses nas águas do estuário, o navio oceanográfico passa por um complexo processo de reflutuação que mobiliza engenheiros e mergulhadores em uma corrida contra o tempo para trazer a estrutura de volta à superfície.

A etapa mais recente dos trabalhos ocorreu nesta quarta-feira (3) e envolveu o uso de bombas de sucção de alta potência e o esvaziamento guiado de toneladas de água de dentro dos compartimentos inundados. O principal desafio técnico da força-tarefa está em garantir a integridade da carcaça original da embarcação, que já apresentava desgastes devido aos anos em que ficou desativada e que acabou sofrendo avarias estruturais adicionais durante o sinistro.

Engenharia de precisão e etapas do resgate

De acordo com o engenheiro de mergulho Márcio Nogueira, cada movimento precisa ser rigidamente calculado para que o casco não se rompa com a pressão. Ele explicou que o cronograma acabou se estendendo justamente porque toda a metodologia foi desenhada para preservar ao máximo a originalidade e as características históricas do navio.

A operação é liderada pela empresa Marfort Serviços Marítimos Ltda. O diretor da companhia, Alexandre Salamoni, detalhou que as equipes já superaram as fases iniciais de tamponamento dos pontos de vazamento, testes de estanquidade e destombamento parcial do navio. Com a estabilização da quilha, o encerramento da reflutuação agora depende apenas do desembarque de maquinários complementares no cais do Valongo. Assim que emergir totalmente, o Professor Besnard será rebocado até um estaleiro especializado para passar por uma perícia técnica minuciosa. O laudo pericial definitivo avaliará se as condições do metal permitem o restauro para futura visitação pública ou se o destino final será o desmonte de suas partes.

Investimento emergencial e causas do naufrágio

Para viabilizar a remoção da estrutura, que bloqueava parcialmente a linha de cais, a Autoridade Portuária de Santos (APS), respaldada por uma autorização oficial da Marinha do Brasil, firmou um contrato emergencial orçado em R$ 8,6 milhões.

O naufrágio da embarcação ocorreu no dia 13 de março, motivado por fortes temporais que atingiram a Baixada Santista. Conforme informações compartilhadas pelo Instituto do Mar, o navio acabou inundando porque as bombas automáticas de sucção interna que faziam o esgotamento preventivo da água da chuva não ligaram, uma vez que toda a fiação elétrica de cobre do sistema havia sido furtada dias antes. Desde o incidente, o Besnard permanecia inclinado e apoiado diretamente no leito lodoso do Porto.

Construído originalmente em 1966, o navio Professor Besnard ostenta um currículo de prestígio na ciência nacional, tendo participado de mais de 260 expedições científicas e operado como a plataforma oficial que transportou as primeiras equipes de pesquisadores brasileiros em direção à Antártica. Acomodada no cais desde que deixou de navegar em 2008, a mítica embarcação vinha passando por reparos graduais com o objetivo de ser convertida em um museu flutuante aberto à comunidade.