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Conta de água mais barata: número de famílias beneficiadas triplica na Baixada Santista

Novo modelo de Tarifa Social Paulista oferece descontos de até 78%

Com R$ 7,5 bilhões em investimentos, Baixada Santista busca resolver problemas históricos de abastecimento de água - Foto: Freepik
Com R$ 7,5 bilhões em investimentos, Baixada Santista busca resolver problemas históricos de abastecimento de água - Foto: Freepik

Gabriella Souza Publicado em 15/01/2026, às 09h45


Quem mora na Baixada Santista sabe que a relação com a torneira nem sempre é fácil, mas um pacote de melhorias promete mudar esse cenário. Nos próximos três anos, a região vai receber uma injeção de R$ 7,5 bilhões em obras. Esse valor é quase o triplo do que foi gasto entre 2017 e 2024, época em que a média de investimento girava em torno de R$ 400 milhões por ano. Agora, com a nova gestão da Sabesp, a previsão é aplicar recursos para acabar com gargalos históricos.

Um diagnóstico feito pela companhia mostrou que o sistema atual sofre para dar conta do recado. Existem limitações antigas que deixam o abastecimento vulnerável, especialmente quando o clima não ajuda.

Funciona assim: quando chove muito forte, a água dos mananciais fica turva (suja), o que atrapalha e demora o tratamento. Já quando faz muito calor ou a temporada de turistas lota as praias, o consumo vai às alturas e a rede não aguenta a pressão.

Soluções estruturais e alívio no bolso

Para resolver isso, o plano é fazer obras grandes, estruturais, e não apenas remendos operacionais. O objetivo é garantir segurança hídrica tanto para os moradores fixos quanto para a população flutuante, que chega a triplicar no verão.

Enquanto as máquinas trabalham para garantir que a água chegue, muita gente já sentiu a diferença na hora de pagar o boleto. Desde a desestatização da companhia, em 2024, a quantidade de lares que pagam menos pela água triplicou na Baixada Santista. Os números impressionam: em agosto de 2024, eram 30 mil famílias cadastradas na Tarifa Social; em novembro, esse total saltou para 90 mil imóveis. Na prática, cerca de 270 mil pessoas estão economizando todo mês.

Entenda os descontos e quem tem direito

O novo modelo, chamado de Tarifa Social Paulista, é mais generoso que o sistema federal. Ele aumentou o desconto máximo de 50% para 78% e criou novas faixas para incluir mais gente. Confira como funciona a divisão:

Vulnerável: Dá o maior desconto, de 78%. É focado em quem está no CadÚnico e tem renda de até um quarto do salário mínimo por pessoa.

Social I: Oferece 72% de redução. Serve para quem tem renda de meio salário mínimo por pessoa, desempregados (com último salário de até três mínimos) ou moradores de habitação social.

Social II: Essa é uma novidade importante. Foi criada para famílias que vivem em áreas informais, mas que podem ser regularizadas (como algumas favelas e comunidades). Elas ganham 50% de desconto por dois anos. A ideia, segundo Natália Resende, secretária estadual de Meio Ambiente, é dar dignidade e trazer essas pessoas para a regularidade com uma conta que caiba no orçamento.

Atendimento perto de casa

Para explicar tudo isso e ajudar quem ainda não pediu o desconto, a Sabesp tem realizado ações nos bairros. Nesta terça-feira (13), por exemplo, foi a vez de Guarujá. Uma equipe técnica montou base no campo de futebol da Vila Nova Guarujá e passou o dia, das 10h às 17h, tirando dúvidas e atendendo os moradores da região.

A meta do Governo de São Paulo é ambiciosa: antecipar a universalização do saneamento, ou seja, água e esgoto para todos, de 2033 para 2029. Para isso, serão investidos R$ 70 bilhões em todo o estado nos próximos anos.