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Contrato de 15 anos para prédio de creche vira alvo de ação por desvio em Mongaguá

Investigação aponta que licitação de 2022 foi direcionada para favorecer empresa em contrato de longo prazo

Ministério Público apoia processo de Mongaguá contra fraudes em aluguel de creche - Imagem: Divulgação
Ministério Público apoia processo de Mongaguá contra fraudes em aluguel de creche - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 30/06/2026, às 13h42 - Atualizado às 13h43


Suspeitas de fraudes, favorecimento e desperdício de dinheiro público em um contrato de aluguel de longo prazo colocaram a antiga gestão de Mongaguá na mira da Justiça. A Prefeitura de Mongaguá abriu um processo cobrando explicações sobre a contratação, feita em 2022, de um prédio que deveria abrigar a Creche Nossa Senhora Aparecida. O negócio foi fechado por meio de um modelo conhecido como built to suit, que funciona como um aluguel customizado onde o proprietário reforma o espaço do jeito que o inquilino precisa e cobra um valor fixo por isso.

A novidade mais recente do caso é que o Ministério Público de São Paulo deu um parecer positivo para a prefeitura continuar tocando o processo. Havia uma discussão jurídica para saber se o município tinha o direito legal de cobrar os antigos gestores por esse tipo de erro, e os promotores confirmaram que sim. Essa posição segue uma regra já definida pelo Supremo Tribunal Federal, que garante que as prefeituras podem processar ex-prefeitos e empresas quando desconfiarem de desvios.

As suspeitas de irregularidades no contrato da creche

Essa já é a sétima ação por improbidade administrativa que a prefeitura atual move contra os antigos administradores. Os investigadores listaram uma série de problemas graves que teriam acontecido na assinatura do papel da creche:

Os técnicos apontam que existem indícios fortes de que a licitação foi direcionada para que uma empresa específica vencesse o contrato. Além disso, a prefeitura acusa os antigos políticos de terem inventado uma necessidade de espaço que não existia na época, apenas para justificar o negócio. O pior de tudo é que o município continuou pagando os aluguéis mensais por muito tempo sem que nenhuma criança colocasse os pés no local para estudar.

Como o contrato foi assinado com validade de 15 anos, o prejuízo acumulado para os cofres públicos pode ser gigantesco ao longo do tempo. Com o sinal verde dado pelo Ministério Público, o processo agora avança para a fase de coleta de provas e depoimentos, onde juízes e peritos vão analisar os documentos para confirmar se houve a intenção de cometer a fraude e calcular o tamanho exato do rombo financeiro. Se o juiz aceitar as denúncias no final do processo, os envolvidos podem ser condenados a devolver todo o dinheiro sumido e perder os direitos políticos.