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CRM cassa registro de médico preso por estuprar pacientes em Praia Grande

Ex-médico teve o registro permanentemente banido pelo CRM após filmar abusos contra pacientes dopadas

Neandro Schiefler, condenado a 16 anos, foi capturado em Praia Grande - Imagem: Reprodução
Neandro Schiefler, condenado a 16 anos, foi capturado em Praia Grande - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 05/05/2026, às 09h58


A trajetória profissional de Neandro Schiefler, de 46 anos, terminou de forma definitiva com a cassação de seu registro médico, medida que antecedeu sua prisão ocorrida no último sábado (2), em Praia Grande. Foragido há seis meses, o ex-clínico geral foi capturado pela Guarda Civil Municipal (GCM) no bairro Ocian, encerrando um período de buscas após sua condenação a 16 anos de reclusão por crimes sexuais cometidos em Santa Catarina.

A cassação permanente do registro de Neandro foi um marco no caso, oficializada em junho de 2023 após julgamento do Tribunal Superior de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina. A decisão de expulsá-lo da classe médica baseou-se na violação gravíssima de diversos artigos do Código de Ética, incluindo o uso da profissão para cometer crimes, o desrespeito à dignidade humana e o aproveitamento da relação médico-paciente para obter vantagem física.

Crimes e provas em vídeo

As investigações que levaram à perda do diploma e à prisão revelaram um cenário perturbador. Neandro era alvo da operação "Jaleco Branco" desde 2019, após sua própria esposa entregar à polícia um CD com vídeos dos abusos. As imagens, gravadas pelo próprio médico dentro de unidades de saúde, mostravam pacientes dopadas e sem qualquer capacidade de reação.

Na esfera administrativa, o CRM-SC já havia determinado a interdição cautelar do médico anos antes, mas a cassação definitiva veio para garantir que ele jamais voltasse a exercer a medicina. Entre os agravantes citados pelo conselho estavam o desrespeito ao pudor das vítimas e a omissão de consentimento para procedimentos, transformando o ato médico em uma ferramenta de violência sexual.

Condenação e prisão no Litoral

Mesmo sem o direito de clinicar, Neandro permaneceu foragido após a sentença de outubro de 2025, que o condenou a 16 anos e 4 meses de prisão. A Segunda Vara Criminal de Itajaí reforçou que ele agiu com abuso de poder e violação de dever inerente à profissão, praticando estupro de vulnerável e fraude sexual.

Ao ser abordado em Praia Grande, a consulta aos sistemas de justiça confirmou o mandado de prisão expedido por Santa Catarina, com validade até 2045. Agora detido, o ex-médico, que justificou as gravações como um "arquivo pessoal", deverá cumprir a pena em regime fechado, distante das salas de atendimento onde utilizou sua autoridade para vitimar pacientes.