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Cubatão reforça combate à bronquiolite e pneumonia em prematuros com uso de anticorpo monoclonal

Iniciativa visa reduzir internações em UTIs pediátricas e melhorar saúde pública

Medicação oferece proteção imediata e de longa duração a bebês com comorbidades - Foto: Prefeitura de Cubatão
Medicação oferece proteção imediata e de longa duração a bebês com comorbidades - Foto: Prefeitura de Cubatão

Redação Publicado em 23/02/2026, às 09h19


O Hospital Municipal de Cubatão (HMC) deu um passo fundamental na proteção da saúde neonatal ao implementar uma nova linha de tratamento voltada a bebês prematuros e crianças com comorbidades. A unidade passou a adotar o uso do Nirsevimabe, um anticorpo monoclonal de ação prolongada desenvolvido especificamente para combater o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

O vírus é amplamente conhecido por ser um dos principais agentes causadores de quadros graves de bronquiolite e pneumonia, sendo responsável por um grande volume de internações em UTIs pediátricas em menores de um ano.

A primeira aplicação da medicação na rede municipal ocorreu no dia 13 de fevereiro, data classificada pela prefeitura como um marco histórico para a maternidade local. A iniciativa visa mudar o cenário epidemiológico da cidade, oferecendo uma camada extra de segurança para os recém-nascidos que possuem sistemas imunológicos mais frágeis. De acordo com a supervisora materno-infantil do HMC, Daniela Souza, a introdução desta tecnologia reforça o compromisso da rede pública em antecipar riscos e garantir um desenvolvimento saudável para as crianças do município.

Diferenciais e critérios de aplicação

O grande diferencial do Nirsevimabe em relação às vacinas convencionais reside na forma de atuação. Enquanto as vacinas estimulam o corpo a produzir suas próprias defesas, o Nirsevimabe fornece o anticorpo pronto diretamente ao organismo do bebê. Isso garante uma proteção imediata e de longa duração, cobrindo todo o período de maior circulação do VSR, que costuma ocorrer em picos sazonais. Esta estratégia é vital para bebês prematuros, cujos corpos muitas vezes não têm tempo ou força para responder rapidamente a estímulos vacinais comuns.

A Secretaria de Saúde de Cubatão estabeleceu critérios rigorosos para a administração do tratamento, seguindo protocolos internacionais de segurança. Estão elegíveis crianças prematuras nascidas com 36 semanas e 6 dias ou menos, além de crianças com até 24 meses de vida que apresentem comorbidades graves. Entre as condições prioritárias estão cardiopatias congênitas, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, Síndrome de Down, fibrose cística e anomalias congênitas nas vias aéreas.

Impacto na mortalidade infantil e saúde pública

A incorporação desta tecnologia médica é vista pela administração municipal como uma ferramenta poderosa na luta contra a mortalidade infantil. O secretário de Saúde, Márcio Oliveira, destacou que a medicação é estratégica para evitar complicações respiratórias que, em muitos casos, evoluem para quadros fatais em bebês com condições pré-existentes. A medida também deve gerar um impacto positivo na gestão hospitalar, reduzindo a pressão por leitos de terapia intensiva pediátrica durante os meses de inverno e outono.

Com a aplicação do Nirsevimabe na rotina da maternidade, Cubatão se alinha às melhores práticas globais de saúde infantil. O tratamento não apenas protege o indivíduo, mas também contribui para a saúde coletiva ao diminuir a circulação de vírus graves dentro das unidades de saúde. A prefeitura informou que continuará monitorando os resultados da aplicação para expandir, sempre que possível, o acesso a novas tecnologias que garantam o bem-estar da população desde o nascimento.