ECONOMIA VERDE

De “Vale da Morte” a polo sustentável: Cubatão aposta em créditos de carbono para atrair investimentos

Cidade marcada pela poluição nos anos 80 lança programa ambiental que transforma recuperação ecológica em fonte de receita

Cubatão aposta em economia verde e busca transformar recuperação ambiental em fonte de investimentos - Imagem: Daniel Villaça / Diário do Litoral
Cubatão aposta em economia verde e busca transformar recuperação ambiental em fonte de investimentos - Imagem: Daniel Villaça / Diário do Litoral

Redação Publicado em 29/03/2026, às 13h50


Cubatão, que foi considerada a cidade mais poluída do mundo na década de 1980, está implementando um mercado local de créditos de carbono como parte de sua transformação em um centro de economia verde.

O Programa Cubatão Verde, desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento em Inovação Sustentável, visa estruturar projetos sustentáveis que atraem investimentos e geram receita para o município.

Os recursos obtidos com a venda de créditos de carbono serão destinados a projetos sociais e de adaptação climática, enquanto a cidade busca parcerias internacionais para consolidar sua nova imagem como referência em sustentabilidade.

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Símbolo mundial de degradação ambiental no passado, Cubatão vive uma nova virada histórica. Conhecida nos anos 1980 como a cidade mais poluída do mundo pela Organização das Nações Unidas, o município agora aposta na economia verde para transformar seu futuro.

A cidade avança na criação de um mercado local de créditos de carbono, mecanismo que permite transformar ações ambientais — como reflorestamento e redução de emissões — em ativos financeiros negociáveis.

A iniciativa será formalizada com o lançamento do Programa Cubatão Verde, desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento em Inovação Sustentável. O objetivo é estruturar projetos sustentáveis capazes de atrair investimentos privados e gerar receita para o município.

Na prática, cada crédito de carbono corresponde à redução de uma tonelada de CO₂ na atmosfera. Esses créditos podem ser vendidos a empresas interessadas em compensar suas emissões, criando uma nova fonte de financiamento para projetos ambientais e sociais.

O avanço ocorre em um contexto de transformação histórica. Na década de 1980, Cubatão enfrentava graves problemas de saúde pública, com altos índices de doenças respiratórias e impactos ambientais severos causados pela intensa atividade industrial.

Desde então, políticas ambientais rigorosas mudaram o cenário. Agora, a cidade busca não apenas manter a recuperação, mas também monetizar esse processo, posicionando-se como referência em sustentabilidade.

A proposta também está alinhada à legislação nacional que regula o mercado de emissões, fortalecendo o ambiente para negócios verdes no Brasil.

Além do impacto econômico, o programa prevê que os recursos obtidos sejam direcionados a projetos sociais e de adaptação climática, com foco em comunidades mais vulneráveis.

A estratégia inclui ainda ações internacionais. Representantes da cidade participaram de discussões durante a COP 30, em busca de parcerias e investimentos estrangeiros.

Especialistas avaliam que a iniciativa pode transformar Cubatão em um polo regional de economia sustentável, consolidando uma mudança de imagem que começou décadas atrás.

De “Vale da Morte” a referência ambiental, a cidade tenta mostrar que desenvolvimento industrial e preservação podem caminhar juntos.