Hapvida

Diagnóstico precoce: o caminho para a autonomia na Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

A equipe multiprofissional da Hapvida destaca como o acompanhamento contínuo transforma a vida de crianças com TEA e suas famílias

A história de Débora e Antônio ilustra como o suporte adequado pode fazer a diferença na vida de crianças com necessidades especiais - Foto: Divulgação
A história de Débora e Antônio ilustra como o suporte adequado pode fazer a diferença na vida de crianças com necessidades especiais - Foto: Divulgação

Redação Publicado em 21/08/2026, às 10h52


Há cerca de dois anos, uma nova rotina passou a fazer parte da vida de Débora Silva: as visitas regulares à clínica de atendimento a pessoas com TEA da Hapvida. Foi ali que seu filho, Antônio Manoel Silva, hoje com 5 anos, começou a receber o acompanhamento terapêutico que o ajuda a compreender e explorar o mundo do seu próprio jeito.

Mais recentemente, essa trajetória ganhou um novo capítulo: Débora recebeu um diagnóstico de câncer, o que a obrigou a se afastar temporariamente de parte de suas atividades. Em meio à retomada gradual da rotina, um dos momentos que mais a alegram é poder voltar a acompanhar Antônio até o espaço que ele tanto aprecia.

A trajetória do menino ilustra bem o propósito da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada entre 21 e 28 de agosto, que tem como objetivo sensibilizar a população sobre as demandas específicas desse público, enfrentar o preconceito e o capacitismo e defender a inclusão social plena. Segundo a terapeuta ocupacional da Hapvida, Lucyanne Regina Luz da Silva Seixas, essa data também reforça a importância de se identificar cedo os sinais de atraso no desenvolvimento infantil.

Ela explica que perceber, ainda na primeira infância, indícios como atraso na fala, dificuldade de interação social e obstáculos no desenvolvimento motor — e buscar as terapias corretas o quanto antes — é decisivo para construir um caminho de mais autonomia e qualidade de vida.

Para Débora, cada vez que leva o filho até a clínica, tem a confirmação de que o esforço compensa. Mesmo lidando com o cansaço do tratamento contra o câncer, ela se reanima ao ver a felicidade de Antônio reencontrando a equipe que o acompanha.

Ela conta que o tratamento oncológico tem sido bastante difícil, mas que a alegria do filho ao retornar à clínica lhe dá uma força inesperada. Segundo ela, em dois anos de acompanhamento, a evolução de Antônio é visível, e o diagnóstico precoce foi o que garantiu que ele recebesse, no tempo certo, o estímulo de que precisava. Levá-lo pela mão até ali, diz, é celebrar tanto a vida do filho quanto sua própria vitória.

Uma equipe multiprofissional por trás dos avanços

Os resultados alcançados por Antônio são fruto de um trabalho conjunto entre diferentes especialidades, que combinam conhecimento técnico e cuidado humano.

A terapia ocupacional atua diretamente na capacidade da criança de realizar tarefas do dia a dia, como brincar e se vestir, trabalhando a integração sensorial e a coordenação motora. Lucyanne Seixas explica que o papel da área é organizar o ambiente de forma que a criança com TEA consiga se relacionar com ele da maneira mais funcional possível, e que a intervenção precoce ajuda a moldar respostas sensoriais e motoras que sustentam a independência no futuro. Para ela, acompanhar o progresso de Antônio e a alegria de Débora mostra que a terapia ultrapassa os limites do consultório e fortalece toda a família.

Já a fonoaudiologia cuida da expansão da comunicação, permitindo que a criança expresse emoções e compreenda melhor o que a cerca. A fonoaudióloga Jacqueline Girão destaca que a comunicação é a base de toda interação social, e que o trabalho vai da fala funcional até formas de expressão não-verbal, sempre respeitando o ritmo de cada criança. Segundo ela, a plasticidade cerebral da primeira infância torna o diagnóstico precoce essencial, e o engajamento da família — mesmo diante das dificuldades — potencializa os resultados obtidos por Antônio.

Por fim, a fisioterapia contribui para o desenvolvimento motor e o equilíbrio, permitindo que a criança explore o espaço com mais segurança. O fisioterapeuta Thiago da Rocha Santos lembra que o TEA também pode afetar a coordenação motora, o equilíbrio e o tônus muscular, algo pouco conhecido pela maioria das pessoas. Ele conta que utiliza atividades lúdicas para desenvolver consciência corporal, força e agilidade, destacando que Antônio encara os desafios físicos com entusiasmo. Para ele, permitir que o menino se movimente com autonomia é dar a ele liberdade para interagir plenamente com o mundo.

Um convite à conscientização

A Semana Nacional reforça que sinais de atraso no desenvolvimento infantil não devem ser ignorados. Procurar um neuropediatra e buscar suporte multiprofissional diante dos primeiros indícios é um gesto de cuidado e responsabilidade. Iniciativas como as clínicas especializadas da Hapvida demonstram que o acompanhamento contínuo e precoce não apenas supera barreiras clínicas — ele também acolhe mães como Débora e transforma o futuro de crianças como Antônio.