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Documentos de inteligência prometem desvendar passos de médico nazista que morreu em Bertioga

Josef Mengele viveu escondido no Brasil por duas décadas e morreu afogado com nome falso em praia de Bertioga em 1979

Papéis confidenciais devem mostrar como ex-oficial alemão driblou a polícia internacional e manteve contatos na Europa - Foto: Divulgação
Papéis confidenciais devem mostrar como ex-oficial alemão driblou a polícia internacional e manteve contatos na Europa - Foto: Divulgação

Redação Publicado em 29/06/2026, às 10h36


A rota de fuga e a rede de contatos que mantiveram o criminoso de guerra Josef Mengele escondido por décadas estão prestes a ganhar novos capítulos históricos. O Serviço Federal de Inteligência da Suíça anunciou que vai abrir ao público os seus arquivos secretos sobre o médico nazista, famoso pela alcunha de "Anjo da Morte". A revelação desses papéis gera grande expectativa entre pesquisadores, pois os documentos podem trazer detalhes inéditos sobre como o ex-oficial conseguiu circular pela Europa mesmo sendo procurado no mundo inteiro, além de mapear as conexões que ele manteve com o continente europeu após o fim do conflito mundial.

A abertura desses arquivos joga luz sobre um passado cheio de mistérios que terminou de forma pacífica no litoral paulista. O médico alemão, que operava no campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, ficou marcado na história pelas atrocidades que cometeu. Era ele quem escolhia quais prisioneiros iriam direto para as câmaras de gás e quem comandava experimentos médicos cruéis e letais, usando principalmente crianças e irmãos gêmeos como cobaias em suas pesquisas.

O fim da linha e a farsa do afogamento

Com a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, o nazista conseguiu escapar de navio e buscou abrigo na América do Sul. Antes de se estabelecer de vez em São Paulo, ele conseguiu documentos falsos e viveu escondido na Argentina e no Paraguai. Ele passou quase vinte anos mudando de endereço no Brasil sem que ninguém desconfiasse de seu passado sombrio.

A farsa só começou a desmoronar anos após a sua morte na Baixada Santista, que aconteceu da seguinte forma:

  • O acidente no mar: No dia 7 de fevereiro de 1979, algumas pessoas que estavam na praia em Bertioga avistaram um homem boiando na água. Os banhistas correram e conseguiram tirar o corpo do mar antes mesmo do socorro chegar, mas a vítima já não tinha sinais vitais.
  • A identidade falsa: Naquele ano, o caso foi registrado sem alarde como a morte de Wolfgang Gerhardt, o nome falso que o nazista usava para despistar a polícia. O laudo médico da época apontou que ele sofreu um mal súbito enquanto nadava e acabou se afogando.
  • A descoberta real: O assunto ficou esquecido e enterrado até 1985. Foi só após uma grande investigação internacional, que envolveu exumações e exames forenses detalhados, que as autoridades confirmaram que o homem enterrado com nome falso em Bertioga era, na verdade, o próprio Josef Mengele.

O que os relatórios da Suíça prometem revelar

A nova leva de documentos deve ajudar a entender o papel da Suíça na história do fugitivo. Existem fortes suspeitas históricas de que ele passeou pelo país europeu mesmo sabendo que tinha um mandado de prisão internacional em seu nome. Os relatórios que serão liberados acumulam dados recolhidos pelos espiões suíços e mensagens secretas trocadas com polícias de outros países, incluindo alertas sobre os disfarces usados pelo médico e seus passos após a queda do regime de Adolf Hitler. Apesar do anúncio da quebra do sigilo, o governo da Suíça ainda não definiu em qual data os papéis serão liberados para consulta pública.