Meio Ambiente

Drone flagra encontro de águas com cores diferentes no mar de Santos

Fenômeno registrado na orla santista é provocado pelo encontro entre as águas do estuário e do mar aberto e pode ser observado em determinadas condições de maré, chuva e correntes marítimas

Imagem registrada por drone mostra o contraste entre as águas do estuário e do mar aberto na orla de Santos, fenômeno natural explicado pela diferença de densidade, salinidade e matéria orgânica - Imagem: Imagens cedidas por @aquituvedecima
Imagem registrada por drone mostra o contraste entre as águas do estuário e do mar aberto na orla de Santos, fenômeno natural explicado pela diferença de densidade, salinidade e matéria orgânica - Imagem: Imagens cedidas por @aquituvedecima

Redação Publicado em 05/08/2026, às 16h17


Imagens de um drone revelaram uma divisão visível entre águas de tonalidades distintas na praia de Santos, resultado do encontro entre as águas do estuário e do mar aberto, o que gerou curiosidade entre moradores e turistas.

O fenômeno, comparado ao Encontro das Águas em Manaus, ocorre devido à diferença de características físicas entre a água escura do estuário e a água mais salgada e transparente do oceano, que se torna visível em condições ambientais específicas.

A Prefeitura de Santos e especialistas afirmam que essa divisão é um fenômeno natural que pode ocorrer várias vezes ao ano e não indica poluição, sendo parte da dinâmica normal do litoral da região.

Quem observava a praia de Santos da faixa de areia dificilmente perceberia a mudança. No entanto, imagens registradas por um drone na tarde de segunda-feira (3) revelaram uma extensa divisão entre águas de tonalidades distintas na orla da cidade. O contraste chamou a atenção nas redes sociais e despertou dúvidas entre moradores e turistas, mas, segundo a Prefeitura de Santos e especialistas em hidrodinâmica costeira, trata-se de um fenômeno natural provocado pelo encontro entre as águas do estuário e do mar aberto.

As imagens foram captadas nas proximidades do Canal 6, na região da Ponta da Praia, por volta das 16h49, pelo piloto de drone Anderson Coelho, responsável pela página "Aqui TU vê de cima". Do alto, é possível observar uma longa faixa escura avançando sobre o mar, enquanto, do outro lado, a água apresenta coloração mais clara e transparente.

O vídeo rapidamente repercutiu nas redes sociais. Muitos internautas compararam a cena ao famoso Encontro das Águas, em Manaus (AM), onde os rios Negro e Solimões percorrem quilômetros lado a lado antes de se misturarem completamente.

De acordo com a Prefeitura de Santos, a comparação faz sentido do ponto de vista físico. Embora ocorram em ambientes diferentes, ambos os fenômenos são resultado do encontro entre massas de água com características distintas. No litoral santista, a água escura proveniente do estuário encontra a água mais salgada e transparente do oceano, formando uma linha de separação temporária que pode ser observada em determinadas condições ambientais.

O especialista em hidrodinâmica costeira e doutor em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), Renan Ribeiro, explicou que a água mais escura normalmente chega ao mar pelos canais ligados ao estuário, incluindo a região de São Vicente e o Canal do Porto de Santos. Essa massa de água possui menor salinidade, menor densidade e concentra maior quantidade de matéria orgânica e sedimentos transportados pelos rios.

Já a água da Baía de Santos apresenta características opostas. Mais salgada, densa e transparente, ela oferece resistência à mistura imediata com a água estuarina. Segundo o pesquisador, essa diferença de propriedades físicas cria uma faixa de transição visível, principalmente quando as condições de maré, ventos, correntes marítimas e volume de chuvas favorecem o contraste.

O especialista ressaltou que o fenômeno faz parte da dinâmica natural do litoral e pode ocorrer diversas vezes ao longo do ano, embora nem sempre seja perceptível. A visualização depende da intensidade da diferença entre as massas de água e do ponto de observação, sendo o registro por drone capaz de evidenciar um cenário que dificilmente seria percebido por quem está ao nível da praia.

Autor das imagens, Anderson Coelho contou que realiza voos diários para registrar paisagens da Baixada Santista. Segundo ele, a diferença de tonalidade chamou atenção logo no início do sobrevoo, motivando a gravação.

A Prefeitura de Santos reforçou que o fenômeno não representa, por si só, qualquer indicativo de poluição ou alteração ambiental incomum. A divisão observada é consequência da interação entre diferentes massas de água e integra os processos naturais que ocorrem na região estuarina e costeira do município.